PSOL-Rede pede cassação de Nikolas Ferreira por suposta relação com Daniel Vorcaro

Publicada em • Zeudir Queiroz

Representação acusa deputado de intermediar interesses privados e cita mensagens sobre o possível custeio de viagens; parlamentar nega irregularidades

(Crédito: Reprodução/Instagram)

O PSOL e a Federação PSOL-Rede apresentaram, nesta quinta-feira (3/9), uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido deverá ser analisado pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e, caso as acusações sejam confirmadas, poderá resultar na cassação do mandato do parlamentar.

Segundo o partido, as informações divulgadas sobre a relação de Nikolas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, levantam suspeitas de possível utilização do mandato parlamentar para intermediar interesses privados. A representação também solicita uma acareação entre o deputado e o banqueiro, para que eventuais divergências nos relatos sejam esclarecidas.

A iniciativa não representa uma condenação automática. O processo ainda deverá passar pelos procedimentos internos da Câmara, assegurando ao deputado o direito de apresentar sua defesa. O PSOL informou que protocolou a representação por considerar que os episódios podem configurar quebra de decoro parlamentar.

Áudio menciona interesse em ativo minerário

Um dos principais elementos citados na representação é um áudio de março de 2025. Na mensagem, Nikolas procura Vorcaro para tratar de um ativo minerário relacionado a Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor do parlamentar.

Nikolas apresenta Faria como uma pessoa próxima e de confiança e, posteriormente, encaminha o contato do advogado ao banqueiro. Para a Federação PSOL-Rede, o diálogo precisa ser investigado para determinar se houve atuação parlamentar em benefício de interesses particulares.

Reportagens sobre o caso apontam que Nikolas pediu ajuda a Vorcaro para solucionar a questão envolvendo o ativo mineral. O deputado admitiu ter feito o contato, mas negou possuir proximidade ou relação financeira com o ex-banqueiro. Segundo a imprensa, Nikolas afirma não ter recebido dinheiro nem firmado contratos com Vorcaro.

O ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria também deverá ser citado nos pedidos de apuração, principalmente para esclarecer qual era o ativo minerário mencionado, quem seriam seus beneficiários e de que forma Vorcaro poderia atuar para liberá-lo.

Mensagens citam possível pagamento de voos

A representação também incorpora mensagens atribuídas a Vorcaro sobre o possível custeio de viagens realizadas por Nikolas. Em uma conversa de abril de 2024 com o empresário Flávio Carneiro, o banqueiro teria afirmado que havia bancado os voos do deputado.

A declaração teria sido feita após críticas publicadas por Nikolas contra um evento patrocinado pelo Banco Master, realizado em Londres. De acordo com as mensagens divulgadas, Vorcaro demonstrou insatisfação com as manifestações do parlamentar e mencionou os deslocamentos que teria financiado. As conversas foram divulgadas em reportagens sobre a relação entre o banqueiro e o deputado.

O documento apresentado ao Conselho de Ética também lembra que Nikolas utilizou uma aeronave ligada a Vorcaro durante a campanha presidencial de 2022, quando participou de atividades em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro.

Quando o uso do avião se tornou público, o parlamentar afirmou que inicialmente não sabia quem era o proprietário da aeronave. Nikolas também sustentou que, naquele período, não havia informações públicas que apontassem irregularidades atribuídas a Vorcaro.

Federação aponta possível quebra de decoro

Na avaliação da Federação PSOL-Rede, o conjunto de áudios, mensagens e deslocamentos precisa ser esclarecido pelo Conselho de Ética. A representação sustenta que uma eventual utilização do mandato para intermediar interesses particulares seria incompatível com os princípios de moralidade, dignidade e responsabilidade exigidos dos integrantes da Câmara.

O partido pede que sejam investigados o vínculo entre Nikolas, Vorcaro e Thiago Rodrigues de Faria, o possível financiamento das viagens e a finalidade da intervenção relacionada ao ativo minerário.

Além da representação por quebra de decoro, parlamentares do PSOL solicitaram que os fatos sejam examinados no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), por exemplo, pediu a apuração das comunicações entre os envolvidos e a identificação dos possíveis beneficiários do ativo mencionado.

Nikolas nega benefícios e minimiza contato

Nikolas Ferreira rejeita as acusações de proximidade com Daniel Vorcaro e afirma que o diálogo ocorreu apenas para encaminhar uma solicitação de seu ex-assessor. O deputado sustenta que não recebeu dinheiro do banqueiro e que as informações divulgadas não demonstram a prática de crime.

O parlamentar também classificou a repercussão do episódio como uma tentativa de associá-lo indevidamente ao ex-controlador do Banco Master. Segundo Nikolas, o material já analisado pelas autoridades não teria apresentado elementos suficientes para justificar uma investigação específica contra ele.

A representação seguirá os procedimentos previstos na Câmara. Caso seja admitida, Nikolas poderá apresentar defesa, indicar provas e acompanhar a análise do processo antes de qualquer decisão sobre uma possível punição. – Com informações do Correio Brasiliense
Zeudir Queiroz