Augusto Cury salta para 11% e surge como terceira força na disputa presidencial

Publicada em • Zeudir Queiroz

Candidato do Avante avançou nove pontos em uma semana e ganhou espaço entre eleitores que buscam uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

Foto: Reprodução

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) registrou um crescimento expressivo nas pesquisas eleitorais e passou a ocupar a terceira colocação na disputa pelo Palácio do Planalto.

Segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31), Cury avançou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana. O crescimento de nove pontos colocou o escritor à frente dos demais candidatos que tentam se apresentar como alternativa à polarização eleitoral.

No principal cenário analisado pelo levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança, com 39%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. Cury ocupa a terceira posição, com 11%.

Crescimento atinge os dois principais candidatos

O avanço de Augusto Cury ocorreu simultaneamente à queda dos dois líderes da disputa. Na comparação com a rodada anterior da BTG/Nexus, Lula recuou de 41% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 37% para 33%.

Os números indicam que Cury conquistou eleitores de diferentes campos políticos, embora o impacto tenha sido maior sobre o candidato do PL. O desempenho também mostra que parte do eleitorado procura uma alternativa aos nomes que protagonizam a polarização nacional.

A movimentação ainda não alterou significativamente as simulações de segundo turno. Em um eventual confronto direto, Lula aparece com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 45%, configurando empate técnico.

O desempenho de Cury também varia entre os institutos. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, por exemplo, ele alcançou 7,8%, depois de registrar 1,6% no levantamento anterior. Apesar das diferenças metodológicas, os estudos mostram uma tendência de crescimento de sua candidatura.

Exposição nas redes impulsiona candidatura

O crescimento nas pesquisas ocorreu após uma forte expansão da presença de Augusto Cury nas redes sociais. Em aproximadamente duas semanas, o candidato ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram e ampliou a circulação de vídeos, entrevistas e recortes de sua participação no debate presidencial.

A campanha atribui o avanço à repercussão espontânea das mensagens apresentadas pelo escritor e nega o uso irregular de robôs ou o pagamento de influenciadores. Adversários, entretanto, demonstraram desconfiança diante da velocidade do crescimento digital.

Cury procura apresentar-se como uma candidatura moderada e distante das disputas ideológicas tradicionais. O candidato afirma defender uma política baseada no diálogo, na pacificação nacional, no empreendedorismo e na superação da polarização.

“Não sou de direita nem de esquerda. Sou um liberal”, declarou o candidato do Avante ao definir seu posicionamento político.

Escritor vendeu milhões de livros

Médico, psiquiatra e escritor, Augusto Cury construiu sua projeção nacional fora da política tradicional. Autor de obras voltadas à inteligência emocional, saúde mental, educação e comportamento humano, ele afirma ter vendido aproximadamente 40 milhões de livros em diferentes países.

A popularidade conquistada como escritor e palestrante tornou-se um dos principais ativos de sua campanha. Sem experiência anterior em cargos eletivos, Cury tenta converter o reconhecimento de seu nome em apoio eleitoral.

A candidatura também aposta em propostas relacionadas à saúde mental, educação, inteligência artificial, empreendedorismo e modernização da administração pública.

Cury declarou patrimônio de R$ 242 milhões

Augusto Cury declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de aproximadamente R$ 242,2 milhões, o maior entre os candidatos à Presidência registrados para as eleições de 2026.

A relação de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral inclui imóveis rurais e urbanos, participações em empresas, aplicações financeiras e outros investimentos.

O patrimônio elevado, aliado à carreira de escritor e à ausência de uma trajetória partidária tradicional, reforça a imagem de candidato independente do sistema político que Cury procura apresentar ao eleitorado.

Desafio será manter crescimento até a eleição

Apesar do avanço, analistas avaliam que ainda é cedo para afirmar se o movimento será permanente. A campanha precisará transformar a visibilidade conquistada nas redes sociais em uma estrutura política capaz de sustentar a candidatura durante as próximas semanas.

Cury também enfrentará maior exposição pública, cobrança sobre suas propostas e ataques dos adversários à medida que se consolida como terceira força eleitoral.

Se mantiver índices próximos ou superiores a 10%, o candidato do Avante poderá influenciar diretamente a disputa, reduzir a concentração de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro e aumentar a possibilidade de decisão em segundo turno.  
Zeudir Queiroz