Governos manterão as negociações nas próximas semanas; ministro afirma que país não aceitará entendimento comercial desfavorável

Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos encerraram sem acordo, nesta segunda-feira (31), a primeira reunião ministerial realizada desde a aplicação das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Apesar da ausência de uma solução imediata, os dois países concordaram em manter o diálogo, com novas conversas previstas para setembro.
Participaram da videoconferência o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A retomada das negociações foi confirmada pelos dois governos após o encontro.
Segundo Rosa, a reunião foi viabilizada pelo contato telefônico realizado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em 21 de agosto. A conversa entre os chefes de Estado abriu espaço para a retomada das tratativas comerciais em nível ministerial e técnico.
Brasil contesta justificativas para novas tarifas
Durante o encontro, o governo brasileiro apresentou sua resposta aos argumentos utilizados por Washington para impor duas tarifas adicionais, de 12,5% e 25%, com base na Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, conhecida como Trade Act.
A equipe brasileira classificou as medidas como injustas e discriminatórias e apresentou informações sobre temas citados pelo governo norte-americano, como o combate ao desmatamento e o funcionamento do Pix. O Brasil sustenta que o sistema de pagamentos não atua de forma predatória nem representa uma barreira comercial às empresas dos Estados Unidos.
Márcio Elias Rosa também afirmou a Jamieson Greer que o Brasil não pratica tarifas superiores às adotadas pelos Estados Unidos no comércio bilateral. Na avaliação do ministro, a aplicação de alíquotas adicionais que podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos amplia o desequilíbrio da relação comercial.
“A verdade é que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior a favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil. Por isso, há um novo cenário e novas bases”, declarou.
Governo descarta acordo desfavorável ao Brasil
O ministro ressaltou que o governo brasileiro pretende avançar nas negociações, mas não aceitará um entendimento considerado prejudicial aos interesses nacionais.
Segundo Rosa, a retomada do diálogo ocorre em um cenário diferente daquele existente antes da imposição das novas tarifas. Por isso, uma proposta genérica de acordo comercial, anteriormente discutida entre os países, não será retomada nos mesmos termos.
“Nós teremos, nos próximos dias, reuniões técnicas para esclarecer as bases desse possível acordo. Não vamos seguir na linha do que vinha antes, que era uma proposta muito genérica e que o Brasil já afastou”, afirmou.
As equipes técnicas deverão analisar os pontos de divergência, avaliar alternativas para a redução das tarifas e preparar as bases para uma nova rodada de negociações entre representantes dos dois governos.
Ministro demonstra otimismo após reunião
Apesar de não haver acordo no primeiro encontro, Márcio Elias Rosa afirmou que terminou a reunião mais otimista sobre a possibilidade de uma solução.
De acordo com o ministro, Jamieson Greer informou que Donald Trump orientou sua equipe a buscar um entendimento com o Brasil. A sinalização foi interpretada pelo governo brasileiro como uma demonstração de interesse político na continuidade das negociações.
“Parece haver, de fato, uma orientação clara do governo americano para que haja um acordo com o Brasil, um acordo que reequilibre a relação e a política tarifária”, declarou Rosa.
Ainda não foram divulgadas propostas concretas para setores ou produtos específicos. Os governos deverão aprofundar esses pontos nas próximas reuniões, que ainda não possuem datas oficialmente anunciadas. – Com informações do Correio Brasiliense- Fortaleza empata com o Operário-PR e termina rodada na quinta colocação da Série B - 31 de agosto de 2026
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