Três brasileiros da Região Nordeste estão entre as dez pessoas mais velhas do planeta, segundo ranking da LongeviQuest. O cearense João Marinho Neto, de 114 anos, é o único homem da lista e foi reconhecido pelo Guinness World Records como o homem mais velho do mundo.

O Brasil tem três representantes entre as dez pessoas mais longevas do mundo, de acordo com levantamento divulgado pela LongeviQuest, organização internacional especializada em pesquisa, identificação e monitoramento de supercentenários.
Os brasileiros são a alagoana Yolanda Beltrão de Azevedo, de 115 anos; a pernambucana Beatriz Ferreira Duarte, também de 115 anos; e o cearense João Marinho Neto, de 114 anos.
O ranking é liderado pela britânica Ethel Caterham, de 117 anos, nascida em 21 de agosto de 1909. A lista é formada predominantemente por mulheres, tendo João Marinho Neto como o único homem entre os dez primeiros colocados.
Confira o ranking das dez pessoas mais longevas do mundo
- Ethel Caterham (Reino Unido) – 21 de agosto de 1909 – 117 anos
- Naomi Whitehead (Estados Unidos) – 26 de setembro de 1910 – 116 anos
- Lúcia Laura Sangenito (Itália) – 22 de novembro de 1910 – 116 anos
- Yolanda Beltrão de Azevedo (Alagoas, Brasil) – 13 de janeiro de 1911 – 115 anos
- Beatriz Ferreira Duarte (Pernambuco, Brasil) – 21 de junho de 1911 – 115 anos
- Fuyo Kishimoto (Japão) – 20 de dezembro de 1911 – 115 anos
- Madeleine Dellamonica (França) – 23 de julho de 1912 – 114 anos
- Mulher cuja identidade não foi divulgada a pedido da família, residente em Ashiya (Japão) – 18 de setembro de 1912 – 114 anos
- João Marinho Neto (Ceará, Brasil) – 5 de outubro de 1912 – 114 anos
- Catherine Ferrell (Estados Unidos) – 10 de outubro de 1912 – 114 anos
Longevidade exige comprovação rigorosa
A LongeviQuest mantém um banco de dados mundial sobre longevidade humana e acompanha pessoas com 108 anos ou mais. Segundo a pesquisadora Iara Souza, integrante da organização, o ranking é atualizado continuamente, com base em um rigoroso processo de verificação documental.
A validação busca confirmar a idade cronológica dos indivíduos em diferentes etapas da vida, evitando divergências e inconsistências nos registros. A classificação também é atualizada quando novos casos são confirmados ou quando ocorre o falecimento de alguém que integra a lista.
Yolanda Beltrão de Azevedo: a brasileira mais longeva
Nascida em 13 de janeiro de 1911, em Coruripe, Alagoas, Yolanda Beltrão de Azevedo tem 115 anos e vive atualmente em Maceió. Ela é considerada a pessoa mais longeva do Brasil.
Yolanda teve quatro filhos, dos quais apenas uma filha está viva. A família a descreve como uma dona de casa dedicada, que consagrou a vida ao cuidado dos familiares.
Aos 107 anos, ela tinha 13 netos, 30 bisnetos, 19 trinetos e um tataraneto. Ao ser questionada sobre o segredo de sua longevidade, citou o consumo de frutas e a prática de crochê.
Beatriz Ferreira Duarte: 115 anos em Pernambuco
Beatriz Ferreira Duarte nasceu em 21 de junho de 1911, na zona rural de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, onde continua vivendo.
Ela teve oito filhos, dos quais três filhas estão vivas. Aos 115 anos, tem sete netos, 12 bisnetos e dois trinetos.
De acordo com a família, Beatriz já não apresenta plena lucidez, mas mantém a saúde física. Os familiares acreditam que a tranquilidade com que viveu ao longo dos anos contribuiu para sua longevidade.
João Marinho Neto: orgulho da longevidade cearense
João Marinho Neto nasceu em 5 de outubro de 1912, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ainda criança, mudou-se com a família para a zona rural de Apuiarés, no interior do Ceará.
Descendente de uma família de fazendeiros, João dedicou grande parte da vida ao trabalho no campo. Em setembro de 2026, celebrou seus 114 anos em uma festa com familiares em Apuiarés.
O agricultor teve oito filhos, dos quais seis estão vivos. Entre seus descendentes estão 22 netos, 15 bisnetos e três trinetos.
Há alguns anos, João perdeu a visão em decorrência de catarata e, desde então, reconhece as pessoas pela voz, segundo seus filhos. Atualmente, vive em uma instituição de acolhimento para idosos no município.
Mesmo aos 114 anos, mantém uma alimentação balanceada, mas sem abrir mão de alimentos de que gosta, como café, rapadura, uvas e galinha caipira.
Genética e hábitos de vida
A pesquisadora Iara Souza destaca que os brasileiros presentes no ranking têm algumas características em comum: nasceram em áreas rurais, trabalharam intensamente ao longo da vida e mantiveram uma alimentação simples, ligada à rotina do campo.
Entretanto, segundo a especialista, a genética é o principal fator associado à longevidade extrema. As condições ambientais, os hábitos alimentares e o estilo de vida também podem contribuir, mas não explicam isoladamente a capacidade de alcançar idades tão avançadas.
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Com informações do G1
