Festejos de Nossa Senhora de Nazaré celebram 123 anos de fé e tradição em Capistrano

Publicada em • Zeudir Queiroz

Programação começou com carreata, levantamento da bandeira e missa; tradicional cavalgada também reuniu devotos e famílias do município

Foto: Reprodução

Capistrano vive um dos períodos mais importantes do seu calendário religioso e cultural com a realização dos festejos de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do município. Em 2026, a celebração completa 123 anos de uma história marcada por fé, tradição e memórias compartilhadas por diferentes gerações.

A programação teve início no sábado (29) e seguirá até 8 de setembro, reunindo fiéis, famílias, visitantes e comunidades da região em celebrações religiosas e manifestações da cultura popular. Paróquia de Capistrano

A abertura contou com carreata pelas ruas da cidade, com saída da Igreja Matriz. Em seguida, os devotos participaram do tradicional levantamento da bandeira e da Santa Missa, marcando oficialmente o começo dos festejos.

Carreata abre programação religiosa

A carreata reuniu veículos ornamentados, famílias e devotos em uma demonstração pública de fé. Durante o percurso, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi conduzida pelas ruas de Capistrano e recebeu homenagens da população.

Após a carreata, os participantes retornaram à Igreja Matriz para o levantamento da bandeira, um dos símbolos da abertura da festa da padroeira. A programação foi encerrada com a celebração eucarística.

A abertura reforçou o vínculo da comunidade com Nossa Senhora de Nazaré e iniciou uma sequência de dias dedicados à oração, às novenas e à confraternização entre os moradores.

Cavalgada reúne cavaleiros e devotos

No domingo (30), Capistrano realizou a 14ª Cavalgada de Nossa Senhora de Nazaré, reunindo cavaleiros, devotos, famílias e participantes de diferentes comunidades.

A concentração aconteceu na residência de Raimundinho Chaga de Matos, na comunidade de Carqueja. Os participantes foram recebidos com lanche, música e momentos de confraternização. Ao meio-dia, também foi servido um almoço.

Por volta das 15 horas, os cavaleiros iniciaram o percurso em direção à Igreja Matriz de Capistrano. Na chegada, o padre Thomas concedeu a bênção aos cavaleiros, aos animais e aos demais participantes.

A cavalgada renovou uma tradição que une a religiosidade à identidade rural do município. A continuidade do evento também demonstra o envolvimento das comunidades na preservação das manifestações populares ligadas à padroeira. 14ª Cavalgada de Nossa Senhora de Nazaré

Celebração começou com pequenos novenários

A história dos festejos foi resgatada por Otacílio Aguiar da Cunha na página Memorial Capistrano Antigo. Segundo o relato, a celebração teve início com pequenos novenários organizados pelas primeiras famílias do antigo Riachão.

Com o passar dos anos, a manifestação religiosa cresceu e se transformou em um dos acontecimentos mais aguardados pela população de Capistrano.

Além das celebrações religiosas, a festa passou a representar um momento de encontro entre moradores da cidade, comunidades rurais e visitantes. Famílias inteiras participavam da programação e transmitiam a tradição aos filhos e netos.

Barracas, brincadeiras e música marcaram gerações

As lembranças dos antigos festejos ajudam a contar parte da história social e cultural de Capistrano. Entre as recordações estão o cheiro da pipoca e do algodão-doce, as barracas de palha, as bancas de jogos e os vendedores de miçangas.

Também faziam parte da festa o brinquedo conhecido como Onda, do senhor Raimundo Reinaldo, e os barquinhos dos senhores Lauro e Efraim. Os dobrados executados pela banda de música anunciavam pelas ruas o início de mais um dia de celebração.

Outro momento aguardado era o tradicional leilão de prendas, que reunia moradores e ajudava a fortalecer a programação da festa. A chegada do trem também movimentava a cidade, trazendo visitantes e jovens vestidas para as noites de festividade.

Além da devoção, os festejos criavam oportunidades para reencontros, novas amizades e namoros. Muitas dessas histórias continuam presentes na memória afetiva dos capistranenses.

Chegada da roda-gigante causou alvoroço em 1971

Uma das recordações mais marcantes ocorreu em 1971, com a chegada da primeira roda-gigante à festa. A novidade provocou curiosidade e movimentou a cidade.

Subir no brinquedo e observar Capistrano do alto tornou-se uma experiência inesquecível para muitos moradores. Para os jovens, a roda-gigante também virou cenário de encontros e momentos ao lado das primeiras namoradas.

De acordo com o relato de José Antônio Pinheiro, o senhor Lima, pai de Miguel e Dedé Lima, teria sido a primeira pessoa a demonstrar coragem para dar uma volta no brinquedo.

O episódio permanece vivo nas lembranças da população e representa um período em que a chegada de cada atração transformava o cotidiano da cidade.

Festa preserva identidade dos capistranenses

Ao longo de mais de um século, os festejos de Nossa Senhora de Nazaré ultrapassaram o caráter exclusivamente religioso. A celebração tornou-se um patrimônio afetivo da população, reunindo fé, cultura, música, diversão e convivência comunitária.

As histórias de amizades, namoros, encontros familiares e brincadeiras mostram como a festa ajudou a construir a identidade de Capistrano. Mesmo com as mudanças ocorridas ao longo das décadas, a devoção à padroeira continua unindo moradores e filhos da terra que retornam ao município para participar das celebrações.

Quando os sinos da Igreja Matriz anunciam mais um festejo, memórias da antiga Capistrano voltam a ocupar as ruas e o coração de quem viveu diferentes momentos dessa tradição.

A programação de 2026 renova esse sentimento e fortalece o desejo da comunidade de preservar a história, a religiosidade e a devoção a Nossa Senhora de Nazaré para as próximas gerações. – Com informações do Programa do Rochinha
Zeudir Queiroz