Policial militar e marido são denunciados pela morte de soldado encontrado carbonizado em Itaitinga

Publicada em • Zeudir Queiroz
. Foto: Reprodução
O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou a policial militar Júlia Natália Girão e o marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, pela morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos. O militar foi encontrado baleado e carbonizado dentro do próprio carro, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Crimes atribuídos e pedido de indenização

A denúncia apresentada nesta sexta-feira (28) atribui ao casal os crimes de homicídio duplamente qualificado, destruição de cadáver e fraude processual. O MPCE também pediu indenização mínima de R$ 300 mil aos familiares da vítima e, em relação a Júlia, a perda do cargo público. Ambos estão presos preventivamente desde agosto.

Atuação conjunta e indícios

Segundo o MPCE, Júlia e Antoneudo teriam agido juntos para matar Raphael e dificultar as investigações. Imagens de câmeras de segurança registraram movimentações dos veículos envolvidos e clarões compatíveis com disparos de arma de fogo. A perícia concluiu que Raphael foi atingido por três tiros na cabeça. O carro da vítima foi encontrado incendiado em Itaitinga.

Possível motivação passional

O inquérito aponta que Raphael e Júlia mantinham um relacionamento extraconjugal, o que teria despertado ciúmes em Antoneudo. Testemunhas relataram encontros frequentes entre os dois após os plantões, e Raphael teria manifestado intenção de assumir o relacionamento com Júlia.

Versão de sequestro contestada

Após o crime, Júlia alegou ter sido sequestrada e amarrada, mas a investigação identificou inconsistências na narrativa. A Polícia Civil sustenta que o sequestro foi simulado para afastar suspeitas. Júlia foi presa em flagrante no mesmo dia, enquanto Antoneudo foi detido posteriormente com munições e documentos falsos.

Prisão preventiva mantida

A Justiça converteu as prisões em preventivas em audiência de custódia. A defesa de Júlia tentou reverter a decisão, alegando que ela é mãe de uma criança de 4 anos, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça do Ceará. A desembargadora Andréa Mendes Bezerra Delfino considerou relevantes os elementos da investigação e as suspeitas de tentativa de obstrução.

Caso segue para análise judicial

Com a denúncia formalizada, o processo entra em nova etapa. A Justiça deverá decidir se recebe a acusação, enquanto Júlia Natália Girão e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior permanecem presos preventivamente.
Zeudir Queiroz