Fachin solicitou à Polícia Federal relatório detalhado sobre as referências encontradas; simples menção de autoridades não representa prova de irregularidade

Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) defende que sejam esclarecidas ainda em 2026 as referências a integrantes da Corte encontradas nas investigações relacionadas a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
A avaliação é de que uma resposta rápida e institucional poderia reduzir as dúvidas sobre o caso antes da posse da nova composição do Senado, em fevereiro de 2027. Parte dos parlamentares eleitos defende a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo.
A apuração, contudo, pode não ser concluída antes do recesso do Judiciário, previsto para começar em 20 de dezembro. Caso sejam identificados elementos que justifiquem a abertura de inquérito, será necessário realizar diligências, colher depoimentos e produzir novas provas.
Fachin pede relatório detalhado à Polícia Federal
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitou à Polícia Federal a elaboração de um relatório detalhado sobre as referências a ministros encontradas no material relacionado ao caso Banco Master.
A orientação é que o documento descreva as informações de maneira técnica, sem apresentar conclusões antecipadas ou juízo de valor sobre as autoridades mencionadas.
A Polícia Federal deve analisar mensagens, registros de encontros, documentos e demais elementos obtidos nas investigações. O material não corresponde, por si só, a um relatório de indiciamento, mas poderá auxiliar na definição das providências seguintes.
Relatório deve ser entregue após o segundo turno
A expectativa é de que o relatório seja encaminhado ao STF depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Após receber o documento, Fachin poderá solicitar um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a existência ou não de elementos suficientes para justificar a abertura de investigação contra integrantes da Corte.
A PGR esclareceu recentemente que as tratativas envolvendo uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro foram conduzidas exclusivamente por meio dos advogados do investigado. O órgão afirmou que não houve depoimento oral nem contato direto entre Vorcaro e representantes da Procuradoria.
Depois da manifestação da PGR, o caso poderá ser submetido ao plenário do Supremo, responsável por deliberar sobre os próximos passos.
Plenário já adiou análise do caso
O assunto foi discutido pelo plenário do STF em 15 de setembro, mas os ministros não chegaram a uma conclusão. A análise foi suspensa após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O julgamento tratava de um levantamento produzido a partir de informações extraídas de materiais apreendidos durante as investigações. O documento reunia referências a integrantes do Judiciário, mas não apresentava conclusão definitiva sobre eventual prática criminosa.
O tema provocou divergências entre os ministros e deverá voltar ao plenário após a conclusão do novo relatório solicitado por Fachin.
Eventual investigação pode avançar por meses
Se o STF decidir pela abertura de inquérito, a apuração poderá se prolongar por vários meses. Essa etapa pode envolver depoimentos, perícias, análise de documentos e cruzamento de informações financeiras e digitais.
Diante desse calendário, é considerada pouco provável a conclusão completa do caso antes do fim do ano.
Um encerramento mais rápido seria possível caso a Polícia Federal, a PGR e o STF entendam que as informações reunidas não apresentam elementos mínimos para justificar uma investigação formal. Nessa hipótese, o procedimento poderia ser arquivado.
Mesmo assim, uma decisão de arquivamento não impediria automaticamente a apresentação de pedidos de impeachment no Senado, uma vez que esse procedimento possui natureza política e jurídica própria.
Seis ministros teriam sido citados
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, as referências alcançariam seis ministros: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
A presença dos nomes em mensagens, agendas, registros de reuniões ou outros documentos não comprova envolvimento em crimes. O objetivo do relatório solicitado à Polícia Federal é justamente contextualizar cada citação e verificar se existe algum elemento juridicamente relevante.
Até a conclusão da análise, não é possível atribuir responsabilidade aos ministros citados.
Nova composição do Senado aumenta pressão sobre o STF
A preocupação com o calendário está relacionada à posse dos senadores eleitos em 2026. Parte da nova bancada defendeu durante a campanha a análise de pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo.
Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A abertura de um processo depende, inicialmente, de decisão do presidente da Casa.
Nesse cenário, ministros favoráveis à rápida apuração entendem que o esclarecimento das citações antes de 2027 contribuiria para preservar a transparência institucional e evitar que informações ainda não contextualizadas alimentem acusações políticas contra integrantes da Corte.
–
Com informações do R7
