Com a apuração em andamento, bloco do atual premiê aparece à frente, mas continua distante da maioria parlamentar; Gadi Eisenkot aposta na mudança de governo, enquanto partidos árabes podem ser decisivos nas negociações

A disputa pelo comando de Israel continua em aberto após as eleições legislativas realizadas na terça-feira (27/10). O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-comandante militar Gadi Eisenkot reivindicam condições para liderar o próximo governo, mas a apuração parcial indica que nenhum dos dois blocos conseguiu, até o momento, assegurar a maioria necessária no Parlamento israelense, a Knesset.
Com 84,5% das urnas contabilizadas, os resultados parciais divulgados nesta quarta-feira (28/10) indicavam 54 cadeiras para o bloco liderado por Netanyahu e 49 para a aliança de oposição encabeçada por Eisenkot. Os partidos árabes somavam 17 assentos. Como a Knesset tem 120 integrantes, são necessários 61 deputados para garantir maioria absoluta. Os números ainda podem mudar com a conclusão da apuração, incluindo a contagem dos votos depositados em envelopes duplos, entre eles os de militares. <Cite refs={[“turn345228search0″,”turn345228search3”]}/>
O cenário mantém a incerteza sobre quem será o próximo chefe de governo. Embora Netanyahu apareça à frente na contagem parcial, a distribuição das cadeiras não garante que ele consiga reunir apoio suficiente para formar uma nova coalizão. Eisenkot, por sua vez, depende de negociações com outras forças políticas para transformar o desempenho eleitoral em uma maioria parlamentar.
Eisenkot reivindica mudança no comando do país
O ex-comandante militar Gadi Eisenkot, de 66 anos, tentou capitalizar as projeções divulgadas após o fechamento das urnas e defendeu a substituição de Netanyahu. Para o opositor, o resultado representa uma demonstração de desconfiança de parte expressiva da população em relação ao atual governo e à condução do país após os ataques de 7 de outubro de 2023.
“Os resultados preliminares da votação apontam para uma total desconfiança em Netanyahu e na gestão do (massacre de) 7 de outubro, por parte da maioria sionista e da maior parte dos cidadãos israelenses”, declarou Eisenkot, ao comentar as primeiras estimativas.
O líder oposicionista acrescentou que, caso as projeções se confirmassem, trabalharia para estabelecer um novo governo. “Se estes forem os resultados finais, esta será uma vitória da maioria estatista sionista de Israel. Agirei imediatamente para concretizar a decisão do povo: substituir o governo Netanyahu e estabelecer, o mais breve possível, um governo sionista de mobilização”, afirmou.
Em discurso em Tel Aviv, Eisenkot voltou a demonstrar otimismo, embora tenha reconhecido a necessidade de aguardar a conclusão da apuração. Segundo ele, a votação expressou o desejo de mudança entre os israelenses.
O opositor também advertiu Netanyahu contra a utilização de questões de segurança nacional como instrumento de disputa eleitoral. A preocupação está relacionada à possibilidade de novas operações militares contra o Irã, em meio às tensões regionais e às consequências políticas que uma escalada do conflito poderia produzir dentro de Israel.
Apesar das declarações de Eisenkot, a formação de um novo governo não depende apenas do desempenho de seu partido ou da rejeição a Netanyahu. O sistema parlamentar israelense exige a construção de alianças capazes de garantir apoio suficiente na Knesset.
Netanyahu tenta preservar o poder
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta uma disputa que pode enfraquecer sua posição política, mas ainda mantém possibilidades de continuar no comando do país. A contagem parcial aponta vantagem de seu bloco, embora insuficiente para assegurar sozinho a maioria parlamentar.
Na noite eleitoral, Netanyahu defendeu a formação de um governo nacional de direita e destacou as ações militares de seu governo. O premiê também afirmou que pretende continuar enfrentando o que considera ameaças à segurança de Israel, especialmente em relação ao Irã.
Durante a campanha, Netanyahu mobilizou seus apoiadores com apelos à participação eleitoral. Uma hora antes do encerramento da votação, publicou uma mensagem na rede social X pedindo que eleitores convocassem familiares para comparecer às urnas.
“Chamem o vovô e a vovó, o tio e a tia. Estamos em guerra pelo nosso lar! Saiam agora e votem!”, escreveu.
Em outras publicações, pediu que os israelenses fossem votar para “salvar” o país e impedir que o poder fosse entregue aos adversários políticos.
O resultado, entretanto, evidencia a dificuldade de consolidar uma maioria estável. Mesmo que seu partido, o Likud, tenha um desempenho expressivo, Netanyahu precisa considerar a distribuição das cadeiras entre os partidos aliados e as possibilidades de negociação com outras legendas.
A eventual dificuldade para formar uma coalizão também pode prolongar a instabilidade política, mantendo o atual governo em funções provisórias enquanto avançam as negociações para definir a próxima administração. <Cite refs={[“turn345228news23″,”turn345228search12”]}/>
Partidos árabes podem decidir a formação do governo
A participação dos partidos árabes nas negociações é um dos pontos centrais da disputa. A representação conjunta dessas forças na Knesset aumentou em relação ao cenário político anterior, e os resultados parciais indicam que elas poderão exercer influência importante na definição da próxima coalizão.
Entre os grupos está o Ra’am (Lista Árabe Unida), liderado por Mansur Abbas, além da Lista Unificada. As projeções iniciais apontavam para uma presença expressiva dessas legendas no Parlamento, embora a distribuição definitiva das cadeiras dependa da conclusão da apuração.
Abbas sinalizou que pretende conversar com representantes dos diferentes campos políticos para avaliar as possibilidades de negociação. A disposição para dialogar não significa, necessariamente, que o partido integrará uma coalizão governista: o apoio parlamentar também pode ocorrer por meio de acordos específicos ou de outras formas de entendimento político.
Netanyahu descartou explicitamente a formação de um governo com partidos árabes. Eisenkot, por sua vez, também manifestou reservas quanto à participação dessas legendas na liderança política, defendendo critérios relacionados ao reconhecimento de Israel como Estado judeu e à posição diante do Hamas.
A resistência dos dois principais campos à formação de uma aliança com os partidos árabes torna as negociações mais complexas. Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma maioria alternativa dependerá da disposição das lideranças para rever posições ou estabelecer acordos que permitam a aprovação de um novo governo.
Eleição ocorre sob o impacto dos ataques de 7 de outubro
A votação foi marcada pelas consequências políticas e sociais dos ataques de 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas invadiram comunidades do sul de Israel, mataram cerca de 1,2 mil pessoas, segundo estimativas amplamente divulgadas, e sequestraram centenas de pessoas.
O episódio provocou um trauma profundo na sociedade israelense e intensificou as cobranças sobre o governo Netanyahu. O premiê passou a enfrentar críticas sobre a atuação das autoridades e das forças de segurança antes dos ataques, além dos questionamentos sobre a condução da guerra e das operações militares posteriores.
A segurança nacional permaneceu entre os principais temas da campanha, ao lado da economia, da polarização política e da necessidade de estabelecer uma administração capaz de responder às demandas internas.
A disputa também foi influenciada pelas tensões com o Irã e pela possibilidade de novos confrontos militares. Nesse contexto, declarações sobre segurança e defesa ganharam peso na tentativa dos candidatos de convencer os eleitores de que possuem condições de liderar o país nos próximos anos.
Analistas alertam para risco de instabilidade política
A analista política Dahlia Scheindlin, colunista do jornal israelense Haaretz, avaliou que o aumento da representação dos partidos árabes pode ter consequências relevantes para a composição da próxima Knesset.
Segundo a análise apresentada no material original, a direita mantém uma presença expressiva no Parlamento, mas o bloco de Netanyahu ainda enfrenta dificuldades para assegurar uma maioria. A oposição também não dispõe, por enquanto, de apoio suficiente para formar um governo sem negociações adicionais.
A possibilidade de inclusão de um partido árabe em uma coalizão ou de acordos que garantam apoio parlamentar externo poderá alterar o equilíbrio de forças. Caso as lideranças não cheguem a um entendimento, Israel poderá enfrentar um período prolongado de negociações e incerteza institucional.
A disputa também reflete o esforço de Netanyahu para permanecer no poder, apesar das críticas à sua gestão e da pressão de adversários que defendem uma mudança de liderança.
Denúncias eleitorais entram no debate
A eleição também foi marcada por acusações relacionadas à regularidade do processo eleitoral. Netanyahu denunciou uma suposta tentativa de fraude envolvendo integrantes do Ra’am, depois que três pessoas foram detidas com envelopes contendo cédulas no sul do país.
Segundo o relato apresentado durante a campanha, as autoridades eleitorais minimizaram o episódio e informaram que os envolvidos haviam sido detidos perto de suas residências, antes de chegarem aos locais de votação. O caso foi tratado como isolado e encaminhado para investigação.
O Likud também solicitou à Comissão Eleitoral a prorrogação do horário de encerramento das urnas, mas o pedido foi rejeitado.
As acusações e os procedimentos relacionados ao episódio não alteram, por si só, a necessidade de aguardar a apuração oficial para determinar a distribuição definitiva das cadeiras parlamentares.
Apuração parcial indica vantagem de Netanyahu, mas sem maioria
Os resultados divulgados na manhã desta quarta-feira mostram um quadro diferente das primeiras projeções de boca de urna, que apontavam uma disputa mais equilibrada entre os dois principais blocos.
Com 84,5% das urnas contabilizadas, a distribuição parcial era a seguinte:
- Bloco de Netanyahu: 54 cadeiras.
- Bloco de oposição liderado por Eisenkot: 49 cadeiras.
- Partidos árabes: 17 cadeiras.
Os números são provisórios e não devem ser confundidos com o resultado final. A conclusão da contagem poderá modificar a distribuição dos assentos e, consequentemente, as condições para a formação de uma coalizão. <Cite refs={[“turn345228search0″,”turn345228search3”]}/>
A eleição registra comparecimento elevado, superior a 77%, de acordo com os dados divulgados durante a apuração. O índice reforça a mobilização política em uma disputa considerada decisiva para os rumos do país.
Quem será o próximo primeiro-ministro de Israel?
A resposta dependerá menos de quem terminar à frente na contagem de votos e mais da capacidade de reunir apoio parlamentar. Netanyahu ainda tem condições de tentar formar uma coalizão, mas enfrenta o desafio de conquistar aliados suficientes para alcançar a maioria absoluta.
Eisenkot, por sua vez, procura transformar o desempenho de seu campo político em uma alternativa de governo. Para isso, terá de negociar com outras legendas e superar as divergências relacionadas à participação dos partidos árabes.
O presidente israelense, Isaac Herzog, deverá consultar os representantes partidários e avaliar quem possui melhores condições de formar uma coalizão. O candidato escolhido terá prazo para tentar reunir o apoio necessário; se as negociações fracassarem, outros líderes poderão receber a oportunidade, e a ausência de uma solução poderá levar a novas eleições. <Cite refs={[“turn345228news23″,”turn345228news24”]}/>
Por enquanto, Netanyahu permanece como primeiro-ministro, enquanto a contagem prossegue e as lideranças iniciam os cálculos políticos para a próxima etapa. O resultado definitivo e, sobretudo, a composição das alianças determinarão se o atual premiê continuará no cargo ou se Israel terá uma mudança de comando.
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Com informações do Correio Brasiliense
