Trump confirma acordo de paz com o Irã e celebra retomada do fluxo de petróleo

Publicada em • Zeudir Queiroz
(Crédito: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste domingo (14/6) que o acordo de cessar-fogo com o Irã foi concluído, marcando o encerramento de um conflito que provocou forte instabilidade geopolítica e gerou impactos significativos sobre a economia mundial, especialmente nos mercados de energia.

Em publicação nas redes sociais, Trump comemorou o entendimento e destacou a retomada da normalidade nas rotas marítimas estratégicas para o comércio internacional. “Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu o republicano, em referência à reabertura do tráfego na região do Golfo Pérsico e à expectativa de normalização do abastecimento global de petróleo.

“O acordo com a República Islâmica do Irã está completo”, publicou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Parabéns a todos! Eu autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos”.

Trump afirmou que o entendimento representa um passo decisivo para reduzir as tensões no Oriente Médio e declarou que o acordo deverá trazer “paz e segurança para toda a região”. O republicano também destacou o papel de sua administração nas negociações, afirmando que diversos líderes norte-americanos tentaram alcançar um entendimento semelhante sem sucesso. “Muitos presidentes tentaram fazer a paz com o Irã, e todos falharam antes de mim”, escreveu.

Assinatura oficial está prevista para 19 de junho

A cerimônia de assinatura do cessar-fogo está prevista para ocorrer em 19 de junho, na Suíça. Embora o documento definitivo ainda não tenha sido formalizado, autoridades envolvidas nas negociações afirmam que as principais medidas acertadas já entraram em vigor.

Segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ambos os lados concordaram com a interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes de conflito relacionadas ao acordo, incluindo o território libanês. “Ambos os lados declararam a interrupção imediata e permanente das operações militares em todos os fronts, incluindo o Líbano”, anunciou.

Irã prevê período de 60 dias para negociações finais

Apesar do anúncio do cessar-fogo, representantes iranianos ressaltam que ainda haverá uma fase de consolidação dos compromissos assumidos. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, informou que as negociações para um acordo definitivo ocorrerão ao longo de um período de 60 dias.

De acordo com o diplomata, esse prazo servirá para verificar o cumprimento das medidas anunciadas pelos Estados Unidos e estabelecer os mecanismos necessários para garantir a implementação integral do entendimento alcançado entre os dois países.

Ataque israelense no Líbano gera preocupação

Horas antes do anúncio do acordo, um bombardeio israelense deixou três mortos no Líbano. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ação militar foi uma resposta a ataques atribuídos ao grupo Hezbollah.

O episódio gerou preocupação entre os mediadores, uma vez que ocorreu em um momento considerado decisivo para a construção do acordo entre Washington e Teerã. Trump criticou publicamente a operação militar e pediu contenção de todas as partes envolvidas no conflito.

“O ataque desta manhã em Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão especial como este, em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã”, publicou. “Estamos muito perto de um acordo que trará paz à região, incluindo ao Líbano, e todos os lados devem recuar. Não deve haver mais ataques de Israel em qualquer lugar do Líbano, mas também não deve haver mais ataques de qualquer outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel”.

Dúvidas permanecem sobre a estabilidade do cessar-fogo

Até o momento, o governo israelense não se pronunciou oficialmente sobre o acordo de cessar-fogo anunciado por Trump. A ausência de comentários por parte de Tel Aviv alimenta questionamentos sobre o grau de adesão de Israel às medidas divulgadas pelos Estados Unidos.

Além disso, analistas observam que o histórico de operações militares israelenses em países vizinhos, inclusive durante períodos marcados por acordos de trégua ou cessar-fogo, mantém incertezas sobre a durabilidade do entendimento anunciado. Embora o acordo represente um avanço diplomático significativo, sua efetividade dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por todos os atores envolvidos e da capacidade de evitar novos episódios de escalada militar na região.

Com informações do Correio Brasiliense

Zeudir Queiroz