Com golaço de Vini Jr., Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa

Publicada em • Zeudir Queiroz
Vini Jr. em lance no jogo contra o Marrocos – (crédito: AFP)

Nova Jersey — Carlo Ancelotti costuma se orgulhar das origens italianas. Não apenas pela coleção de títulos espalhada pelas principais ligas da Europa, mas também pela herança de um país que transformou a arte de defender em patrimônio cultural. Foi assim que a Itália conquistou quatro Copas do Mundo. É também assim que o treinador imagina pavimentar o caminho do Brasil rumo ao hexa.

A Seleção Brasileira desembarcou nos Estados Unidos carregando uma preocupação cada vez mais difícil de esconder. Entrou em campo contra Marrocos após sofrer gols nas cinco partidas anteriores e saiu do MetLife Stadium com a sequência ampliada. Ao empatar por 1 x 1 na estreia, o Brasil chegou ao sexto jogo consecutivo com a meta violada.

O alerta não nasceu diante dos marroquinos. Até o Panamá conseguiu balançar as redes brasileiras neste ciclo, apesar da derrota por 6 x 1. Contra um adversário do porte de Marrocos, semifinalista da última Copa do Mundo, o castigo parecia questão de tempo.

Marrocos domina o início e abre o placar

Durante boa parte do primeiro tempo, Marrocos parecia jogar em casa. Trocava passes com naturalidade, acelerava quando encontrava espaço e encontrava superioridade numérica com frequência preocupante.

A posse de bola chegou a ultrapassar os 70% para a equipe africana. O Brasil só conseguiu respirar quando Vinicius Junior resolveu chamar o jogo para si. O atacante levou a melhor sobre Hakimi pela primeira vez e encontrou Igor Thiago na área, mas o atacante não conseguiu acertar a cabeçada.

O castigo veio aos 20 minutos. Paquetá errou o domínio no campo de ataque e abriu caminho para um contra-ataque fulminante. Mazraoui encontrou Brahim Díaz, que serviu Saibari entre Gabriel Magalhães e Marquinhos. Cara a cara com Alisson, o atacante mostrou categoria ao tocar por cobertura e abrir o placar.

Vinicius salva o Brasil antes do intervalo

Nem mesmo o gol sofrido acordou imediatamente a Seleção. Paquetá acumulava erros de passe, Marrocos encontrava corredores livres por praticamente todos os setores do campo e a sensação era de que o time africano estava sempre um movimento à frente.

Até que Vinicius Junior apareceu novamente. Se o coletivo não respondia, a qualidade individual prevaleceu. O camisa 7 venceu o duelo contra Hakimi, criou a jogada praticamente sozinho e recolocou o Brasil na partida ao marcar o gol de empate aos 32 minutos da etapa inicial.

Antes do intervalo, a Seleção quase virou. Paquetá se projetou na área e acertou um belo voleio, obrigando a defesa marroquina a trabalhar. Ainda assim, Marrocos deixou o gramado com a sensação de que merecia mais.

Ancelotti mexe no time, mas vitória não vem

O primeiro tempo deixou feridas evidentes demais para serem ignoradas. Ancelotti percebeu isso e agiu no intervalo. Ibañez foi substituído por Danilo, enquanto Fabinho entrou na vaga de Casemiro, que já estava amarelado.

Mais tarde, Igor Thiago deu lugar a Matheus Cunha. Paquetá também deixou o campo para a entrada de Luiz Henrique, numa tentativa de aumentar a velocidade e a profundidade ofensiva.

As mudanças surtiram efeito parcial. O Brasil passou a sofrer menos defensivamente e controlou territorialmente a partida. No entanto, esbarrou em um problema recorrente: tinha a posse de bola, circulava pelo campo de ataque, mas criava poucas chances claras.

O domínio territorial quase se transformou em vitória, mas morreu em lançamentos longos demais, cruzamentos sem direção e decisões apressadas. Faltou capricho. Faltou ousadia. Faltou a convicção de quem se vê pronto para conquistar uma Copa do Mundo.

Ao apito final, ficou a sensação de uma estreia burocrática, aquém da expectativa criada em torno de uma Seleção que desembarcou nos Estados Unidos sonhando com o hexa.

Defesa segue como principal preocupação

Doze anos depois, a Seleção Brasileira voltou a estrear em uma Copa do Mundo saindo atrás no placar. Em 2014, Marcelo marcou contra na vitória de virada por 3 x 1 sobre a Croácia. Desta vez, o empate evitou um resultado ainda mais frustrante.

Mais do que os pontos perdidos, a atuação reforçou uma preocupação que acompanha a equipe desde antes da chegada de Ancelotti. A defesa voltou a ser vazada e expôs falhas de posicionamento, cobertura e recomposição.

O treinador terá poucos dias para reorganizar a equipe antes do próximo compromisso. Tempo suficiente para corrigir erros táticos. Talvez não para silenciar uma pergunta que cresce a cada partida: como um técnico moldado pela tradição defensiva italiana vê sua Seleção sofrer gols com tanta frequência?

Ficha técnica

Brasil 1 x 1 Marrocos

Competição: Fase de grupos – 1ª rodada da chave C
Local: MetLife Stadium, Nova Jersey (EUA)
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
Público: 80.663 presentes

Brasil: Alisson; Ibañez (Danilo), Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães, Raphinha e Lucas Paquetá (Matheus Cunha); Igor Thiago (Luiz Henrique) e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti.

Gol: Vinicius Junior, aos 32 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Casemiro e Ibañez.

Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui; Bouaddi e El Ayanaoui; Brahim Díaz, Ounahi e Khannouss; Saibari. Técnico: Mohamed Ouahbi.

Gol: Saibari, aos 20 minutos do primeiro tempo.

Com informações do Correio Brasiliense

Zeudir Queiroz