Ex-presidente da AMT é investigado após denúncia de servidora

Publicada em • Zeudir Queiroz

Foto: Reprodução

Uma servidora da Autarquia Municipal de Trânsito do Eusébio (AMT), na Região Metropolitana de Fortaleza, denunciou o ex-presidente do órgão por assédio e perseguição no ambiente de trabalho. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Eusébio. A mulher, que prefere não se identificar, chegou a solicitar uma medida protetiva contra o ex-gestor.

Relatos de assédio

Segundo a servidora, que trabalha há cerca de um ano na autarquia, os episódios começaram no fim de 2025 com comentários sobre sua aparência, roupas, perfume, cabelo e unhas. Com o passar do tempo, as abordagens teriam se tornado mais frequentes e constrangedoras.

Em entrevista à TV Verdes Mares, a servidora afirmou que passou a receber convites insistentes para sair e viajar com o então presidente da autarquia. De acordo com o relato, ele chegou a se oferecer para custear hospedagens para que passassem fins de semana juntos.

A denunciante também afirmou que o gestor carregava seu crachá funcional na carteira e comentava que deixava a foto dela na cabeceira da cama antes de dormir.

Fotografias e contato físico indesejado

A servidora relatou ainda que era chamada à sala do gestor sob diferentes pretextos e, ao chegar ao local, era fotografada por ele. Em algumas ocasiões, segundo ela, o então presidente teria solicitado que a própria secretária também tirasse fotos suas.

Outro episódio relatado ocorreu durante uma reunião. A mulher afirma que, enquanto fazia anotações sentada, o gestor passou por trás de sua cadeira, segurou seu pescoço com força e a puxou para trás.

Segundo a denunciante, o episódio foi tratado pelo então presidente como uma brincadeira.

Impactos na saúde mental

A servidora afirma que as situações vividas afetaram sua saúde mental e a levaram a se afastar do trabalho em duas ocasiões.

Ela relatou ter enfrentado momentos de pânico e medo, chegando a recorrer à automedicação com calmantes para lidar com o sofrimento emocional provocado pelos episódios.

Alegações de perseguição

De acordo com a denunciante, após perceber que ela não corresponderia às investidas, o então presidente passou a desqualificá-la profissionalmente. Ela também afirma que outras mulheres teriam sido vítimas de comportamentos semelhantes.

A servidora decidiu formalizar a denúncia após, segundo seu relato, passar a ser perseguida fora do ambiente de trabalho. Ela contou ter percebido um carro parado próximo ao local onde estava e que, ao deixar o local, viu o ex-presidente filmando-a.

A mulher afirmou que entrou em desespero e que sua irmã conseguiu registrar uma fotografia do veículo e da placa. Ela disse ainda que fugiu acompanhada do filho e acreditou estar sendo seguida.

Mudanças no trabalho

Além das denúncias de assédio e perseguição, a servidora afirma que, mesmo sem ter sido oficialmente exonerada, foi substituída na função após apresentar um atestado médico.

Segundo o relato, ela também foi orientada a devolver equipamentos e materiais de trabalho, incluindo notebook, celular, crachá funcional, chave da sala e fardamento.

Investigações

A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado pela Delegacia de Eusébio, que realiza oitivas para dar continuidade às apurações.

Além da investigação criminal em andamento, há um histórico de denúncias relacionadas ao ambiente de trabalho da autarquia. Em 2021, o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o órgão para prevenir casos de assédio moral e discriminação no ambiente laboral.

Segundo o MPT, o acordo previa ações educativas e, após acompanhamento, as medidas foram consideradas cumpridas, resultando no arquivamento do procedimento.

O órgão informou ainda que recebeu uma nova denúncia relacionada ao ambiente de trabalho da autarquia em 2024. O caso, no entanto, foi arquivado por falta de informações complementares da denunciante. O ministério ressaltou que novas denúncias com elementos suficientes podem resultar na abertura de investigações e na adoção de medidas legais.

O que diz a Prefeitura de Eusébio

Em nota, a Prefeitura de Eusébio informou que tomou conhecimento das denúncias e que, antes da adoção de qualquer medida administrativa, o então titular da autarquia apresentou pedido de desligamento do cargo para dedicar-se integralmente à sua defesa na esfera judicial.

A administração municipal afirmou ainda que não compactua com qualquer forma de discriminação, violência ou desrespeito e que os fatos serão apurados pelas instâncias competentes, com garantia do direito à ampla defesa e ao contraditório.

Com informações do G1

Zeudir Queiroz