
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) celebra hoje os 30 anos da urna eletrônica em um contexto pré-eleitoral ainda marcado pela polarização política. Nos meses que antecederam a eleição de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores questionaram a lisura do pleito e difundiram desinformação sobre o sistema eletrônico de votação, apesar do reconhecimento internacional de sua eficiência. Para o pleito de outubro, ao menos por enquanto, prevalece o entendimento de que o modelo segue seguro e representativo da vontade popular.
Urna eletrônica como marco contra fraudes eleitorais
Em artigo recente, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Mário Velloso, que presidiu o TSE durante a implantação do sistema, destacou que a urna eletrônica representou uma ruptura com práticas fraudulentas do passado. Segundo ele, o sistema trouxe mais segurança às eleições e acompanha a evolução tecnológica presente em diversos setores da sociedade. Velloso ressalta ainda que a urna é auditável antes, durante e após as eleições, consolidando-se como instrumento permanente da democracia.
Ataques ao sistema e consequências políticas
As críticas ao sistema atingiram seu auge quando Bolsonaro questionou publicamente as urnas em 2021 e 2022, inclusive diante de representantes estrangeiros. Esses episódios contribuíram para sua inelegibilidade, decidida pelo TSE em 2023. Especialistas apontam que a deslegitimação do sistema eleitoral faz parte de estratégias populistas baseadas na criação de desconfiança contínua.
Especialistas defendem confiabilidade do sistema
Para Sidney Neves, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, a narrativa contra as urnas busca sustentar uma suposta luta contra o sistema. Já o advogado João Marcos Pedra afirma que as críticas carecem de საფუძento técnico e reforça que a urna eletrônica é um pilar da democracia brasileira, garantindo resultados rápidos e confiáveis.
Evolução tecnológica e fim das fraudes tradicionais
O sistema eletrônico substituiu as antigas urnas de lona, que permitiam práticas como votos inseridos previamente ou cédulas já marcadas — origem do chamado “curral eleitoral”. Atualmente, as urnas contam com mais de 30 camadas de segurança e criptografia avançada, o que dificulta fraudes.
Silêncio atual pode ser estratégico
Apesar da redução recente nos ataques, especialistas avaliam que o silêncio de alguns grupos não representa mudança de opinião, mas sim uma estratégia temporária. Há expectativa de que críticas possam ressurgir ao longo do ano eleitoral.
Combate à desinformação eleitoral
Sidney Neves defende que o uso de desinformação como ferramenta política deve ser punido com rigor pela Justiça Eleitoral, pois compromete a integridade do processo democrático ao gerar medo baseado em informações falsas.
Evento marca trajetória da urna eletrônica
Sob a presidência da ministra Cármen Lúcia, o TSE promove o evento “Tudo sobre a Urna Eletrônica”, com exposições e debates sobre segurança da informação. As primeiras urnas foram distribuídas aos tribunais regionais eleitorais em maio de 1996.
Mudanças na dosimetria de penas geram debate
Paralelamente, o Congresso Nacional derrubou o veto ao projeto de lei da dosimetria, que pode reduzir penas relacionadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito. Para Velloso, a decisão está em conformidade com a Constituição e corrige excessos. A nova regra estabelece que, em certos casos, prevalece apenas a pena mais grave, além de reduzir o percentual necessário para progressão de regime de réus primários.
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Com informações do Correio Brasiliense
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