Pastor é preso suspeito de abusar sexualmente de fiéis em Fortaleza

Publicada em • Zeudir Queiroz
Pastor ludibriava irmãs da igreja dizendo que retiraria pregos delas — Foto: Reprodução

O pastor Alan Pereira Vicente, de 38 anos, foi preso na noite de quinta-feira (7), suspeito de abusar sexualmente de mulheres da igreja onde atuava, no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza. Segundo relatos das vítimas, ele dizia retirar “pregos” e “agulhas” do corpo das fiéis durante supostos rituais de cura espiritual.

Mulher relata abuso após parto

Uma das vítimas contou que procurou o pastor após complicações e inflamações decorrentes de uma cirurgia de parto. No dia seguinte, ela recebeu ligações e mensagens do líder religioso afirmando que precisava ir até sua casa para resolver “questões espirituais”.

Ao chegar ao local, o pastor pediu que ela colocasse a filha recém-nascida no quarto. A vítima tentou manter distância, mas ele insistiu em realizar um suposto procedimento espiritual.

“Ele disse que eu tinha uma bola de carne dentro de mim. Eu perguntei como ele ia tirar. Ele disse que teria que colocar a mão dentro de mim. Eu disse que não achava que aquilo era certo”, relatou.

Segundo a mulher, o pastor utilizou passagens bíblicas para convencê-la, afirmando que, caso ela recusasse o procedimento, desenvolveria câncer e morreria.

A vítima afirma que o homem simulou retirar uma agulha do corpo dela e, em seguida, alegou que ainda havia um fragmento interno. Depois disso, introduziu as mãos na vítima utilizando azeite.

“Ele colocou o punho e os cinco dedos dentro de mim. Ele ficava remexendo dentro. Disse que não estava conseguindo tirar”, contou emocionada.

Outras vítimas denunciaram abusos

Fontes ouvidas pela TV Verdes Mares afirmam que pelo menos três mulheres adultas e dois menores de idade teriam sido vítimas dos crimes. Duas mulheres formalizaram denúncia à polícia.

Uma estudante de 27 anos relatou que, em 2025, o pastor afirmou ter identificado um tumor em seu útero e disse que precisava removê-lo espiritualmente. Segundo ela, os encontros aconteciam em uma sala da igreja, onde o suspeito pedia que ela retirasse as roupas íntimas para realizar supostos procedimentos de cura.

Posteriormente, a vítima afirma que o homem a levou para um motel após oferecer uma carona de moto. Mesmo diante da recusa, ela relata ter sido violentada sexualmente.

“Foi depois do estupro que eu entendi que tudo era abuso. Ele mandava eu abrir as pernas porque ia tirar o câncer de dentro de mim”, disse.

Outra vítima, uma dona de casa de 20 anos, contou que o pastor alegou que ela precisava de “cura” após uma gravidez complicada. Segundo o relato, ele simulou retirar uma agulha do corpo dela e depois pediu que removesse parte das roupas para continuar o suposto procedimento espiritual.

“Ele disse que minhas estrias eram sinais de um trabalho espiritual contra mim”, afirmou.

Pastor usava religião para convencer vítimas

As vítimas relataram que o suspeito utilizava versículos bíblicos e argumentos religiosos para justificar os abusos, afirmando que “servos de Deus” poderiam curar enfermidades por meio do toque.

Segundo os depoimentos, após os abusos o pastor passava a difamar as vítimas dentro da igreja e na comunidade para descredibilizar as denúncias.

Áudio mostra ameaças e menção ao CV

Um áudio obtido pela TV Verdes Mares mostra o pastor ameaçando o companheiro de uma das vítimas. Na gravação, ele afirma ter ligação com integrantes do Comando Vermelho (CV) e ameaça agredi-lo.

“Tu tem sorte de eu não mandar os meninos do CV aí te dar uma pisa”, disse o suspeito no áudio.

Polícia investiga coação de vítimas

A Polícia Civil informou que Alan Pereira Vicente foi preso por meio de mandado de prisão preventiva em sua residência, quando se preparava para ir à igreja.

Ele foi conduzido à Delegacia de Capturas e permanece à disposição da Justiça.

As investigações continuam e apuram, inclusive, a possível participação de outros integrantes da igreja na coação e intimidação das vítimas.

Pastor foi expulso da igreja

Segundo os relatos, o pastor foi expulso da igreja onde atuava após as denúncias se tornarem públicas. Ainda assim, ele teria assumido posteriormente outro ministério religioso.

As vítimas também afirmam que o suspeito registrava boletins de ocorrência contra denunciantes, acusando-as de calúnia, além de fazer ameaças para evitar denúncias.

Com informações do G1

Zeudir Queiroz