
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, decidiu mudar sua estratégia de defesa e pretende fazer uma nova tentativa de fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A partir de agora, ele passará a ser representado pelo criminalista Daniel Leon Bialski, advogado conhecido por atuar em casos de grande repercussão nacional. Apesar da mudança, o novo defensor ainda não protocolou oficialmente o pedido para assumir a defesa nos autos do processo. Procurado, o escritório Bialski Advogados informou que, até o momento, não possui informações sobre o caso.
A informação foi confirmada ao Correio por fontes ligadas às investigações. Bialski ganhou notoriedade por defender o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro em processos de natureza criminal e agora assume a missão de tentar destravar as negociações entre Vorcaro e os investigadores.
Mudança ocorre após duas rejeições da PF
A troca de advogado acontece depois que as duas propostas de colaboração apresentadas por Daniel Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal. Além da resistência da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também demonstrou pouca disposição em avançar com um eventual acordo.
Segundo investigadores, as informações apresentadas pelo banqueiro não atenderam aos requisitos exigidos para uma colaboração premiada. A avaliação interna é de que Vorcaro não revelou todos os fatos de que teria conhecimento nem apresentou elementos capazes de contribuir de forma efetiva para o avanço das investigações.
Investigação avançou sem depender da colaboração
Fontes ligadas ao caso afirmam que as diligências realizadas pela Polícia Federal conseguiram desmontar grande parte do suposto esquema investigado por meio de provas documentais, análises financeiras e outras medidas de investigação. Com isso, a necessidade de uma colaboração premiada perdeu força.
Na mesma situação estaria o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Assim como Vorcaro, ele também teria buscado negociar um acordo de delação, mas sua eventual colaboração passou a ser considerada pouco relevante diante do estágio atual das apurações.
Negociações permanecem abertas
Apesar das recusas anteriores, as portas para uma futura negociação não foram totalmente fechadas. Integrantes da Polícia Federal deixaram claro que um novo acordo poderá ser analisado caso o banqueiro apresente informações inéditas, relevantes e comprováveis, capazes de agregar elementos às investigações.
Um dos fatores que reforçam essa possibilidade é o fato de Daniel Vorcaro continuar custodiado nas dependências da sede da Polícia Federal, em Brasília, sem ter sido transferido de volta para a Penitenciária Federal. Nos bastidores, essa permanência é interpretada como um indicativo de que as conversas entre a defesa e os investigadores seguem em aberto e podem ser retomadas caso haja uma mudança na postura do banqueiro ou a apresentação de novos elementos considerados úteis pelas autoridades.
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