Jovem que teve mãos decepadas se torna símbolo de combate à violência contra a mulher

Publicada em • Zeudir Queiroz

Alta médica e mensagem de apoio

Foto: Reprodução

A jovem Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, recebeu alta do Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, após 28 dias internada devido a uma tentativa de feminicídio ocorrida em Quixeramobim, no Ceará.

Ao deixar o hospital, Ana Clara afirmou que pretende usar sua história para apoiar outras mulheres vítimas de violência doméstica.

“Eu já estou saindo daqui sendo uma voz para as mulheres.”

Ela agradeceu o apoio recebido e destacou que muitas mulheres relataram ter conseguido sair de relacionamentos abusivos após conhecerem seu caso.

Alerta sobre relacionamentos abusivos

Ana Clara revelou que abandonou a faculdade de Nutrição e deixou de frequentar a academia para evitar conflitos com o então companheiro.

Ela incentivou mulheres a reconhecerem os sinais de violência e denunciarem:

“Qualquer sinal que vocês virem, se saiam, denunciem. Nenhuma mulher merece passar por isso.”

Desejo de voltar a se comunicar com a mãe

Um dos maiores objetivos da jovem é recuperar os movimentos das mãos para voltar a conversar em Libras com a mãe, que possui deficiência auditiva.

Segundo Ana Clara, a falta dessa comunicação tem sido uma das maiores dificuldades durante a recuperação.

Histórico de agressões

O relacionamento com Ronivaldo Rocha dos Santos durou cerca de dois anos e, segundo a vítima, era marcado por ciúmes excessivos, controle e agressões físicas.

Ela relatou que o companheiro a impedia de estudar, frequentar a academia e tomar decisões sobre a própria vida. As agressões teriam se tornado cada vez mais frequentes ao longo do relacionamento.

Como aconteceu o ataque

Na noite de 1º de maio, após uma discussão motivada pelo consumo de bebidas alcoólicas, Ana Clara foi para casa. Pouco depois, o então namorado retornou acompanhado do irmão, Evangelista Rocha dos Santos.

Segundo a vítima, Evangelista invadiu a residência armado com uma foice e a atacou violentamente. Durante a agressão, uma das mãos foi amputada e a outra sofreu graves ferimentos.

Para sobreviver, Ana Clara fingiu estar morta até que o agressor deixasse o local. Sem conseguir usar o celular, ela gritou por socorro.

Recuperação e superação

Desde a internação, Ana Clara passou por três cirurgias:

  • Reimplante das mãos;
  • Reconstrução de um tendão da perna;
  • Substituição de uma artéria em um dos braços.

Ela também iniciou sessões de fisioterapia e terapia ocupacional.

Durante a recuperação, aprendeu a usar o celular com os pés e passou a compartilhar sua evolução nas redes sociais, onde reúne milhares de seguidores.

Irmãos viram réus

Os irmãos Evangelista Rocha dos Santos, 34 anos, e Ronivaldo Rocha dos Santos, 40 anos, foram presos e se tornaram réus por tentativa de feminicídio.

A denúncia foi aceita pela Justiça do Ceará, e o processo tramita em segredo de Justiça.

O Ministério Público do Ceará solicitou que os acusados paguem uma indenização de R$ 97 mil à vítima, valor que ainda poderá ser alterado pela Justiça.

Antecedentes e investigação

Ronivaldo possuía antecedentes por lesão corporal, ameaça no contexto de violência doméstica, agiotagem e porte ilegal de arma de fogo. Evangelista não possuía antecedentes criminais.

As prisões ocorreram após diligências policiais. O pai dos acusados, Raimundo Nonato Acioli dos Santos, colaborou com a polícia e indicou os locais onde os filhos estavam escondidos.

Segundo depoimento prestado às autoridades, Ronivaldo chegou a enviar mensagens ao pai afirmando que Evangelista havia matado Ana Clara.

Exemplo de resistência

Mesmo diante das graves sequelas, Ana Clara transformou sua história em uma mensagem de conscientização e apoio às mulheres que enfrentam violência doméstica, reforçando a importância da denúncia e da busca por ajuda diante dos primeiros sinais de abuso.

Com informações do G1

 
Zeudir Queiroz