
A revelação da proximidade do senador Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Brasília, provocou forte impacto nos bastidores da direita brasileira. Enquanto parte da ala bolsonarista classificou a situação como “inaceitável”, outras lideranças preferiram aguardar os desdobramentos políticos do caso.
A poucos meses das eleições de 2026, opositores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam os efeitos da divulgação do áudio em que Flávio conversa com Vorcaro e tentam redesenhar estratégias eleitorais.
Apesar da crise, setores da direita afirmam que, neste momento, não existe articulação concreta para substituir Flávio Bolsonaro como candidato. Ainda assim, a possibilidade deixou de ser descartada. O senador também não teria conversado com o ex-presidente Jair Bolsonaro para avaliar os impactos políticos do episódio.
Zema critica Flávio e crise atinge aliança entre PL e Novo
Após a divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Vorcaro supostamente para financiar um filme, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou que a atitude do senador foi “imperdoável” e “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
A declaração abriu uma crise entre o PL e o Novo. Integrantes do partido de Zema passaram a discutir a possibilidade de romper alianças estaduais com o Partido Liberal.
Antes do desgaste, existia a possibilidade de Zema ser convidado para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Na última sexta-feira, porém, o senador afirmou que, após as declarações do mineiro, essa hipótese se tornou “inviável”.
Tarcísio mantém apoio discreto
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, estava previsto para participar de um evento em Sorocaba, mas cancelou a presença alegando gripe, segundo sua assessoria.
Mesmo ausente, Flávio Bolsonaro fez questão de citar Tarcísio durante o discurso no lançamento da pré-candidatura do deputado Guilherme Derrite ao governo paulista.
“Meu amigo Tarcísio de Freitas, nosso pré-candidato ao governo de São Paulo, que está fazendo um trabalho histórico junto com Derrite e André do Prado”, afirmou Flávio.
Durante o evento, o senador tentou minimizar os efeitos do vazamento do áudio com Vorcaro, voltou a atacar o governo Lula e acusou a gestão petista de aparelhar a Polícia Federal.
Direita busca ampliar presença feminina na chapa
Setores da direita defendem que Flávio Bolsonaro escolha uma mulher como vice para ampliar a conexão com o eleitorado feminino.
Uma das cotadas é a deputada federal Simone Marquetto, do PP de São Paulo. Os dois participaram juntos de um evento político na última sexta-feira.
Nas redes sociais, Simone afirmou que esteve ao lado de lideranças “comprometidas com a família, a segurança e as pessoas”. Ela também declarou que a política deve ser feita com “responsabilidade, coragem e propósito”.
Ligada ao Frei Gilson e a lideranças católicas, a deputada é vista como um possível aceno do PL ao eleitorado católico.
Michelle Bolsonaro ganha força como plano B
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ser tratada nos bastidores como possível alternativa para a disputa presidencial de 2026 caso o desgaste político de Flávio Bolsonaro aumente.
Aliados do senador admitem preocupação com os impactos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e avaliam que novos desdobramentos podem atingir pessoas próximas ao grupo bolsonarista.
A apreensão aumentou após a Operação Compliance Zero atingir o pai de Vorcaro, reforçando entre interlocutores a percepção de que o caso ainda pode gerar novas operações da Polícia Federal e decisões do Supremo Tribunal Federal.
Um dirigente do Centrão ouvido reservadamente afirmou que o episódio colocou a direita em “alerta máximo”.
Segundo relatos, lideranças do PL também demonstraram preocupação com possíveis efeitos jurídicos e eleitorais sobre parlamentares ligados ao entorno bolsonarista.
Bastidores revelam temor por novas revelações
Após o vazamento dos áudios, aliados afirmaram ter sido surpreendidos pela relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Em reunião reservada, o senador teria garantido que não existem novas revelações comprometedoras sobre o caso. Mesmo assim, interlocutores admitem que o episódio provocou um dos momentos mais delicados da articulação eleitoral da direita até agora.
Nos bastidores, aliados passaram a discutir cenários alternativos para 2026 caso a situação política de Flávio Bolsonaro “piore” até as convenções partidárias.
Chapa Tarcísio-Michelle é vista como ideal por aliados
Integrantes do entorno bolsonarista avaliam que uma eventual chapa formada por Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro seria o cenário ideal para a direita em 2026.
No entanto, interlocutores afirmam que a possibilidade de Tarcísio disputar a Presidência teria sido inviabilizada após o prazo de desincompatibilização eleitoral, encerrado em 4 de abril, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral.
Uma fonte próxima a Michelle Bolsonaro afirmou que ela seria, atualmente, o único nome da família Bolsonaro capaz de preservar o capital político do grupo em caso de agravamento da crise envolvendo Flávio.
Segundo essa avaliação, Michelle reúne atributos considerados estratégicos pela direita: forte identificação com pautas conservadoras, capacidade de atrair o eleitorado feminino, presença em pautas sociais e alto potencial de mobilização entre apoiadores bolsonaristas.
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Com informações do Correio Brasiliense
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