
Durante muito tempo, os animais foram vistos apenas como companhia dentro de casa. Hoje, a medicina e áreas ligadas à saúde mental passaram a enxergar algo ainda maior nessa relação: o potencial terapêutico do vínculo entre humanos e animais.
Cada vez mais presente em hospitais, clínicas, instituições de acolhimento e centros terapêuticos, a Terapia Assistida por Animais vem sendo utilizada como uma importante ferramenta complementar no cuidado emocional de pacientes de diferentes idades. A prática utiliza, principalmente, cães treinados para auxiliar na redução da ansiedade, melhora da socialização, fortalecimento emocional e humanização dos atendimentos.
Hospitais passam a investir em terapias humanizadas
Nos últimos anos, hospitais e instituições de saúde passaram a compreender que o cuidado emocional também influencia diretamente na recuperação dos pacientes. Com isso, projetos de terapia assistida por animais ganharam espaço em ambientes hospitalares, e algumas unidades já permitem até mesmo visitas de animais de estimação aos tutores internados, reconhecendo os benefícios emocionais desse vínculo.
Além das experiências observadas na prática, pesquisas científicas brasileiras vêm reforçando os impactos positivos da Terapia Assistida por Animais. Uma revisão sistemática publicada pela revista científica Estação Científica analisou 41 estudos sobre o tema em pacientes hospitalizados. Sete pesquisas foram selecionadas para análise aprofundada, envolvendo 259 pacientes entre crianças, adultos e idosos. Os resultados apontaram melhora do humor, redução da ansiedade e maior interação entre pacientes e profissionais de saúde.
Outro estudo, publicado pela Revista de Medicina da USP, destacou que a Terapia Assistida por Animais promove benefícios emocionais, físicos, sociais e cognitivos, sendo aplicada em pacientes hospitalizados, idosos e pessoas em acompanhamento psiquiátrico.
Pesquisas também identificaram melhora nos sintomas de ansiedade e depressão em idosos institucionalizados submetidos à terapia assistida. Os estudos apontaram aumento da interação social e melhora no bem-estar emocional dos participantes.
Crianças hospitalizadas também apresentam benefícios
Pesquisas realizadas com crianças hospitalizadas demonstraram que a presença dos cães terapeutas ajuda na adaptação ao ambiente hospitalar, reduz o medo, melhora o humor e fortalece o vínculo entre pacientes, familiares e equipes médicas.
Um dos projetos que vêm desenvolvendo esse trabalho é o Terapatas. Idealizado pela médica pediatra e nutróloga Carolina Holanda, o projeto utiliza cães treinados para promover acolhimento e bem-estar em diferentes ambientes de saúde.
Segundo Carolina, a iniciativa nasceu de uma experiência pessoal.
“O Terapatas nasceu de uma experiência muito pessoal. Observando o quanto a convivência com meus próprios pets me trazia equilíbrio, conforto emocional e sensação de cura nos dias mais difíceis, percebi que aquele vínculo ia além do carinho. Havia ali um potencial terapêutico real”, afirma.
Projeto busca fortalecer vínculos e reduzir ansiedade
Carolina explica que transformar essa vivência em propósito aconteceu de forma natural.
“Foi a partir dessa percepção que idealizei o projeto, transformando essa vivência em propósito. O Terapatas promove saúde, acolhimento e bem-estar por meio da interação entre pacientes e pets treinados, contribuindo para a redução da ansiedade, estímulo à comunicação, fortalecimento de vínculos e humanização do cuidado”, destaca.
Além do impacto emocional imediato, especialistas reforçam que a terapia assistida também pode contribuir para ambientes hospitalares menos traumáticos e mais acolhedores. A presença dos cães terapeutas costuma quebrar barreiras emocionais, gerar sensação de segurança e proporcionar momentos de afeto em meio a tratamentos difíceis.
Especialistas destacam benefícios para idosos
A psicóloga Kamilla Gurgel destaca que os benefícios são ainda mais visíveis entre idosos.
“A terapia assistida por animais proporciona acolhimento emocional, sensação de pertencimento e estímulos afetivos muito importantes para os idosos. O contato com os cães desperta memórias afetivas, reduz sintomas de ansiedade e tristeza e também favorece a socialização, especialmente em idosos institucionalizados”, explica.
Conforme a especialista, os animais conseguem acessar emoções que muitas vezes os pacientes não conseguem expressar verbalmente.
“Muitas vezes, o animal consegue criar conexões genuínas e tornar o ambiente terapêutico mais leve, afetivo e humanizado”, completa.
Afeto passa a integrar o processo de cuidado
Mais do que companhia, os animais passaram a ocupar um espaço importante no cuidado com a saúde emocional. Em um momento em que a humanização dos atendimentos ganha destaque dentro da medicina, projetos de terapia assistida reforçam que o afeto também pode fazer parte do processo de cura.
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