Líquido encontrado em sítio no Ceará é petróleo cru, confirma ANP

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Gabriela Feitosa/g1

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que o líquido escuro encontrado em um sítio no município de Tabuleiro do Norte é realmente petróleo cru. A descoberta aconteceu de forma acidental, quando o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo da propriedade em busca de água para abastecer a família.

A confirmação oficial foi divulgada nesta quarta-feira (20), após a conclusão de análises físico-químicas realizadas pela ANP. O material havia sido encontrado inicialmente em novembro de 2024, mas a família comunicou o caso ao órgão federal apenas em julho de 2025.

Equipe da ANP visitou local após repercussão do caso

Os técnicos da ANP estiveram no sítio no dia 12 de março de 2026, cerca de sete meses após a notificação formal. A visita ocorreu depois que o caso ganhou repercussão pública.

Segundo a agência, o resultado da análise foi encaminhado ao proprietário da terra e também à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Semace), que poderá avaliar possíveis medidas ambientais relacionadas à descoberta.

A amostra analisada foi fornecida pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início das investigações. De acordo com técnicos da agência, o achado surpreendeu especialistas porque o petróleo surgiu em uma profundidade considerada rasa, cerca de 40 metros.

ANP vai estudar viabilidade de exploração comercial

Com a confirmação da presença de petróleo, a ANP abriu um processo administrativo para estudar a área e analisar o contexto geológico da região. O objetivo é identificar o tamanho das reservas e avaliar se existe viabilidade econômica para exploração comercial.

Apesar disso, a agência destacou que não existe prazo para conclusão dos estudos e que não há garantia de futura exploração da área.

A região de Tabuleiro do Norte está localizada no Vale do Jaguaribe, a aproximadamente 210 quilômetros de Fortaleza, próxima da Bacia Potiguar, conhecida pela produção de petróleo entre Ceará e Rio Grande do Norte.

Descoberta ocorreu durante perfuração de poço artesiano

O agricultor buscava construir um poço artesiano porque a família não possui abastecimento regular de água encanada. Durante a perfuração, um líquido preto, viscoso e com forte cheiro de combustível começou a jorrar do solo.

Inicialmente, Sidrônio acreditou ter encontrado água. Somente semanas depois surgiram suspeitas de que a substância poderia ser petróleo.

Após o episódio, a família procurou pesquisadores do IFCE, que iniciaram análises laboratoriais. Os testes apontaram semelhanças físico-químicas entre o líquido encontrado e petróleos produzidos em jazidas do Rio Grande do Norte.

Área deve permanecer isolada

A ANP orientou que o local permaneça isolado para evitar riscos ambientais e de saúde. Os moradores foram aconselhados a não manter contato com a substância, e novas coletas de amostras estão temporariamente proibidas.

Enquanto aguardava o laudo definitivo, a família continuou enfrentando dificuldades no acesso à água. Após a repercussão do caso, uma antiga adutora voltou a abastecer a propriedade.

Exploração pode levar anos

Especialistas explicam que o processo de exploração de petróleo no Brasil costuma ser longo. Após a confirmação de uma jazida, a ANP realiza estudos técnicos, econômicos e ambientais antes de definir blocos de exploração que poderão ser leiloados para empresas do setor.

Segundo o engenheiro Adriano Lima, que auxiliou a família no contato com a agência, diversos fatores influenciam a decisão sobre exploração comercial, como o tamanho da reserva, a qualidade do petróleo e o custo da operação.

Mesmo áreas oficialmente liberadas pela ANP podem nunca ser exploradas caso não despertem interesse econômico das empresas.

Agricultor poderá receber percentual da produção

Embora o petróleo pertença à União, conforme determina a Constituição Federal, o proprietário da terra poderá receber participação financeira caso haja produção comercial no futuro.

Esse percentual pode chegar a até 1% do valor da exploração, dependendo das características da jazida e das condições econômicas da operação.

No entanto, especialistas ressaltam que ainda é cedo para qualquer previsão financeira, já que a ANP ainda precisa concluir os estudos sobre a viabilidade da área.

Zeudir Queiroz