Conversas de dezembro de 2024 mencionam um encontro com Jair e Flávio Bolsonaro, mas não confirmam que a reunião tenha ocorrido

Mensagens trocadas em dezembro de 2024 entre Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, e o empresário Flávio Carneiro mencionam a possibilidade de um jantar com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os diálogos indicam que Vorcaro demonstrou preocupação com uma eventual divulgação do encontro. O conteúdo foi revelado pela CartaCapital e é analisado no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Embora as mensagens tratem da organização de uma reunião, não há confirmação de que o jantar tenha sido efetivamente realizado. Os registros também não esclarecem qual seria o objetivo do encontro.
Empresário perguntou sobre possível jantar
A conversa começou em 8 de dezembro de 2024, quando Flávio Carneiro perguntou a Vorcaro sobre sua participação em um possível jantar. Na mensagem, o empresário afirmou que uma pessoa identificada como “Thiago” cobrava uma resposta e mencionou um encontro com o “xará” de Carneiro e o “pai dele”.
Vorcaro respondeu inicialmente que não sabia do que se tratava. Carneiro insistiu e disse que imaginava que o banqueiro já tivesse sido informado sobre a reunião.
Após a insistência, Vorcaro respondeu que seria necessário avaliar a situação e conversar antes de tomar uma decisão.
“Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”, escreveu.
Vorcaro pediu sigilo sobre reunião
No dia seguinte, 9 de dezembro, Vorcaro retomou o assunto e pediu ao empresário que não comentasse a possível reunião com outras pessoas.
“Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, escreveu o banqueiro.
Na sequência, acrescentou: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.
As mensagens não detalham quem seria o “Fábio” mencionado nem explicam por que a possível divulgação do encontro preocupava Vorcaro.
O diálogo também mostra que Carneiro utilizava o termo “cumpadre” ao se dirigir ao então controlador do Banco Master, indicando uma relação de proximidade entre os dois.
Fontes identificam referências a Jair e Flávio Bolsonaro
De acordo com fontes ligadas às investigações, o “xará” citado por Carneiro seria o senador Flávio Bolsonaro. A expressão “pai dele”, por sua vez, seria uma referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A identificação apresentada pelas fontes é uma interpretação do conteúdo das mensagens. Os interlocutores não escreveram os nomes completos de Jair ou Flávio Bolsonaro no trecho divulgado.
Por esse motivo, os registros precisam ser analisados em conjunto com outros documentos, depoimentos e elementos eventualmente reunidos pelos investigadores.
“Thiago” seria publicitário investigado no caso
O “Thiago” mencionado na conversa foi identificado por fontes relacionadas à apuração como Thiago Miranda, publicitário, lobista e proprietário da Agência MiThi.
Miranda é citado nas investigações por suposta participação na articulação do chamado “Projeto DV”. A iniciativa teria como objetivo contratar influenciadores digitais para produzir conteúdos questionando a atuação do Banco Central no processo de liquidação do Banco Master.
Em maio de 2026, Miranda confirmou à CartaCapital que intermediou uma negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Ele também declarou que tentou organizar um encontro entre os dois em 11 de dezembro de 2024.
A declaração reforça a existência de tratativas para uma reunião, mas não comprova que o jantar tenha ocorrido nem que Jair Bolsonaro participaria do encontro.
Conversas integram apurações do Caso Master
As mensagens fazem parte do conjunto de informações analisadas nas investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. O material reúne conversas, negociações e contatos do banqueiro com empresários, agentes públicos e intermediários.
No diálogo com Flávio Carneiro, o principal elemento é a preocupação demonstrada por Vorcaro com a possibilidade de a suposta reunião se tornar pública.
O conteúdo, entretanto, não permite concluir qual seria a finalidade do encontro, se houve alguma negociação ou se a reunião chegou a acontecer.
As circunstâncias mencionadas nas mensagens ainda dependem da análise das autoridades responsáveis e da confrontação com outros elementos obtidos durante a investigação.
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Com informações do Gcmais
