Ciro Gomes é condenado por violência política de gênero contra Janaína Farias no Ceará

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Sistema Verdes Mares e Agência Senado

A Justiça Eleitoral do Ceará condenou o ex-ministro Ciro Gomes pelo crime de violência política de gênero após declarações feitas contra a atual prefeita de Crateús, Janaína Farias, quando ela exercia o cargo de suplente de senadora pelo Ceará.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (18) pelo juiz Edson Feitosa dos Santos, da 115ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Ciro foi condenado a 1 ano e 4 meses de reclusão e ao pagamento de multa de R$ 4,2 mil. A pena privativa de liberdade, porém, foi substituída por medidas alternativas.

Pela sentença, o ex-ministro deverá pagar 20 salários mínimos à prefeita Janaína Farias e outros 50 salários mínimos a entidades de defesa dos direitos das mulheres no Ceará. A decisão é de primeira instância e a defesa ainda pode recorrer.

Janaína chama decisão de “vitória das mulheres”

Após a condenação, Janaína Farias divulgou nota classificando a sentença como uma “vitória das mulheres”.

Segundo ela, a decisão representa um enfrentamento à misoginia na política brasileira. A prefeita também informou que pretende doar integralmente os 70 salários mínimos que serão pagos por Ciro a entidades de proteção dos direitos das mulheres.

Defesa diz confiar em instâncias superiores

Em nota enviada ao g1, Ciro Gomes afirmou acreditar que “as instâncias superiores saberão fazer justiça e analisar o caso fora do calendário de interesses eleitorais”.

O ex-ministro é pré-candidato ao Governo do Ceará.

Declarações motivaram ação

As falas que motivaram a condenação foram feitas entre abril e maio de 2024, logo após Janaína assumir temporariamente uma cadeira no Senado.

Na ocasião, Ciro chamou Janaína de “cortesã”, afirmou que ela “organizava as farras” e que seria “assessora para assuntos de cama” do senador Camilo Santana, de quem ela era segunda suplente.

O Ministério Público Eleitoral do Ceará abriu processo contra Ciro em julho de 2024, acusando o político de perseguição política e de promover ataques reiterados contra Janaína.

Justiça já havia proibido ataques

Em setembro de 2025, a Advocacia do Senado chegou a pedir a prisão preventiva de Ciro Gomes por novos ataques contra Janaína Farias, mas o pedido foi negado pela Justiça Eleitoral.

Apesar disso, o ex-ministro passou a ficar proibido de fazer manifestações consideradas difamatórias contra a prefeita, sob pena de multa de R$ 10 mil por declaração.

A sentença desta segunda reforçou a proibição.

Juiz apontou deslegitimação do mandato

Na decisão, o magistrado entendeu que as declarações de Ciro se enquadram no artigo 326-B do Código Eleitoral, que trata da violência política de gênero.

O trecho prevê punição para quem “assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar” candidata ou mulher detentora de mandato eletivo utilizando menosprezo à condição feminina.

Durante o processo, Ciro confirmou as declarações, mas alegou que o alvo real de suas críticas era Camilo Santana e não Janaína Farias.

O juiz, no entanto, concluiu que as falas atingiram diretamente a honra e a reputação da prefeita, além de deslegitimarem o exercício do mandato parlamentar dela logo após a posse no Senado.

Ciro poderá recorrer da decisão em liberdade.

Zeudir Queiroz