Ex-ministro afirma que falhas no Instagram provocaram desequilíbrio na disputa presidencial; empresa nega as acusações e diz cumprir as normas eleitorais

O ex-ministro da Educação Camilo Santana, que passou a integrar a coordenação da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou neste sábado (10/10) a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, de provocar desequilíbrio na disputa presidencial.
Segundo Camilo, uma sequência de falhas nas plataformas prejudicou a divulgação de conteúdos da campanha petista em um momento decisivo do segundo turno. A votação entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) está marcada para o dia 25 de outubro.
O PT informou que está adotando as medidas cabíveis junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para apurar os episódios.
TSE dá prazo de 48 horas para a Meta
Após a apresentação de uma representação pela coligação de Lula, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta apresente, no prazo de 48 horas, explicações técnicas sobre as restrições apontadas pela campanha.
A decisão foi tomada antes da análise do pedido de urgência. A empresa deverá informar se houve redução na entrega de publicações, restrições de busca, retirada de conteúdos dos sistemas de recomendação, remoções ou suspensões de contas.
O TSE também solicitou esclarecimentos sobre possíveis alterações nas métricas de visualizações, a desativação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro e as regras aplicadas aos perfis dos dois candidatos à Presidência.
Segundo a decisão, a Meta também deverá explicar quais providências foram adotadas em relação a uma suposta rede formada por 255 perfis automatizados no Instagram.
Camilo cobra transparência da plataforma
Camilo afirmou que os problemas ocorrem a 15 dias da votação e cobrou maior transparência da empresa sobre as falhas relatadas.
“Ela reconhece o erro, mas não justifica e continua cometendo novos erros, e nós estamos há 15 dias das eleições”, declarou o ex-ministro.
Na avaliação de Camilo, as restrições podem comprometer a capacidade da campanha de apresentar suas propostas aos eleitores. Ele também negou que a candidatura de Lula tenha enfrentado dificuldades nas redes sociais por causa de uma estratégia digital malsucedida no primeiro turno.
“Ao contrário, a campanha do presidente Lula teve sucesso nas redes sociais, na campanha digital. É tanto que essa tentativa de interferir é exatamente para tentar desestabilizar e desequilibrar a campanha do governo Lula e a disputa eleitoral”, afirmou.
Campanha relata falhas em anúncios e visualizações
As denúncias foram apresentadas inicialmente pelo secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares.
Segundo os dirigentes partidários, a conta utilizada para os anúncios de Lula ficou fora do ar durante o primeiro turno. Nesta semana, publicações do presidente também teriam enfrentado interrupções no registro de visualizações.
O PT afirmou ainda que o perfil de Lula ficou temporariamente impedido de impulsionar publicações no feed do Instagram. A campanha sustenta que a Meta atribuiu os episódios a problemas técnicos, mas não teria apresentado explicações consideradas suficientes.
Essas alegações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral. A determinação do TSE para que a empresa apresente informações técnicas não representa uma conclusão de que houve interferência eleitoral.
Meta nega tratamento desigual
Em nota, a Meta negou as acusações feitas pela campanha de Lula e afirmou que os problemas técnicos mencionados não atingiram exclusivamente o Brasil ou contas específicas.
“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, declarou a empresa.
Após a apresentação das explicações da Meta, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo para se manifestar. Somente depois dessas etapas o relator deverá analisar o pedido de medida urgente.
Campanha pretende intensificar críticas a Flávio
Além de questionar a atuação da plataforma, Camilo Santana afirmou que a campanha petista pretende ampliar a divulgação de temas relacionados às propostas de Flávio Bolsonaro.
Entre os assuntos mencionados estão a escala de trabalho 6×1, as apostas on-line e os possíveis efeitos de cortes orçamentários sobre programas sociais.
“Ele não quer que o povo brasileiro saiba que ele é a favor da manutenção da escala 6×1”, declarou Camilo.
As afirmações fazem parte da estratégia política do PT para contrastar as propostas dos dois candidatos. A campanha de Flávio Bolsonaro deverá ter espaço para se manifestar sobre as declarações atribuídas a ele e sobre as críticas apresentadas pelo ex-ministro.
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Com informações do Correio Brasiliense
