Pré-candidatura de Lula gera divisão no Psol para 2022

Foto de divulgação da Web

O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) se apresentou nesta segunda-feira (10) como pré-candidato do partido à Presidência da República em 2022, com a divulgação de um manifesto por candidatura própria da legenda. O ocorrido amplia a crise interna no Psol, que se divide entre apresentar um nome próprio e defender o apoio ao ex-presidente Lula (PT).

A deputada federal Luiza Erundina (SP) é uma das signatárias do texto pró-Glauber, o que a distancia – pelo menos no debate sobre a corrida ao Planalto – do ex-presidenciável Guilherme Boulos, de quem a veterana parlamentar foi vice na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2020. Boulos, que chegou ao segundo turno contra Bruno Covas (PSDB), mas foi derrotado pelo candidato à reeleição, vem defendendo a união da esquerda no pleito do ano que vem e é tido como favorável a um apoio do Psol a Lula, embora evite antecipar essa discussão em público.

A eventual adesão à candidatura do PT sofre resistência de filiados do Psol que rejeitam a composição com partidos de centro-direita e do centrão que têm sido procurados por Lula. Em seu esforço para se vender como uma opção moderada, o petista admite dialogar com forças liberais e conservadoras. Surgido como dissidência do PT, o Psol fez oposição aos governos Lula e Dilma Rousseff. Desde sua fundação, em 2004, a legenda disputou todas as eleições nacionais, com Heloísa Helena (2006), Plínio de Arruda Sampaio (2010), Luciana Genro (2014) e Boulos (2018).

Manifesto
O manifesto, que une Erundina e outros filiados mais próximos de uma visão socialista, afirma que Glauber Braga é o representante da sigla que pode sustentar debates “caros à esquerda e à sociedade brasileira” diante da crise vivida sob o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). “Devemos aprofundar o debate de programa com uma agenda de discussão que organize as diretrizes do nosso ‘programa/projeto’”, diz o texto. Na carta, são citados como eixos desejáveis “derrotar o rentismo e o neoliberalismo”, combater “o modelo concentrador de terras e de destruição ambiental” e defender o serviço público.

Braga é descrito no documento como “parlamentar expressivo das bancadas de oposição no Congresso” que pode representar o campo progressista, “em diálogo a ser estabelecido com outras forças políticas da oposição de esquerda ao governo Bolsonaro”, o que exclui a aproximação com a direita. Os deputados federais Sâmia Bomfim (SP), David Miranda (RJ), Fernanda Melchionna (RS) e Vivi Reis (PA) também endossaram o manifesto. Com isso, a costura em apoio a Braga é ratificada por seis dos dez parlamentares da legenda na Câmara.

Segundo os organizadores, a articulação conta com a adesão de mais de mil filiados. A iniciativa teve ainda o apoio de fundadores do partido, como a deputada estadual Luciana Genro (RS) e o jornalista Milton Temer, e de parlamentares psolistas em Câmaras Municipais e Assembleias de vários estados. Dirigentes regionais, militantes e ao menos 16 integrantes da direção nacional do Psol também assinaram.

Boulos
Boulos tem sustentado um discurso semelhante ao de Lula e outros líderes da esquerda no sentido de que a discussão sobre alianças e candidaturas deve ocorrer mais adiante, e que primeiro é preciso unir forças para contornar as consequências da pandemia e do desemprego. “A eleição pode ser discutida, mas não pode ser prioridade agora, com milhares de mortes diárias e tantos desafios”, disse o psolista à Folha de S.Paulo em abril. Procurado via assessoria nesta segunda, Boulos informou que não comentará a questão até o congresso geral do Psol, que definirá a posição oficial da sigla.

Em um encontro realizado em março, o partido oficializou a orientação de que qualquer debate sobre o processo eleitoral está interditado até a assembleia nacional, prevista para setembro deste ano.

Fonte: https://oestadoce.com.br/