Preso por matar vaqueiro acionou delegado na Justiça

Publicada em • Zeudir Queiroz
Suspeito de matar Dadá Guedes após vaquejada é preso Foto: Reprodução

Darlei Teixeira Vitor, conhecido como Sasom Boiadeiro, foi preso na madrugada desta quarta-feira (8), em Quixadá, no Sertão Central do Ceará. O homem, de 56 anos, é suspeito de matar o campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, conhecido como Dadá Guedes, durante uma competição realizada em Quixeramobim, no dia 7 de junho.

Segundo a Polícia Civil, Darlei se apresentou na Delegacia Regional de Quixadá após permanecer cerca de um mês foragido. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva por homicídio doloso qualificado. Após o cumprimento da ordem judicial, o suspeito foi colocado à disposição do Poder Judiciário.

Em nota, a Polícia Civil informou que o mandado foi cumprido na Delegacia de Quixadá, onde o investigado se entregou às autoridades.

Defesa acionou a Justiça contra delegado

Dias após o crime, a defesa de Darlei ingressou com uma ação de obrigação de fazer, com pedido de tutela de urgência, contra o delegado de Quixeramobim, William Lopes, responsável pela investigação, e contra o Estado do Ceará.

A ação pedia a retirada imediata de publicações feitas pelo delegado nas redes sociais que divulgavam a imagem do suspeito associada ao homicídio. A defesa alegou que a divulgação violava o princípio da presunção de inocência e representava abuso de autoridade.

Segundo o processo, os advogados sustentaram que o delegado teria exposto a imagem do investigado antes de qualquer condenação judicial, o que, na avaliação da defesa, poderia comprometer sua integridade e um eventual julgamento.

Justiça nega pedido de urgência

Ao analisar o caso em 12 de junho, o juiz Rodrigo Campelo Diógenes reconheceu que o delegado não poderia figurar como réu na ação, mantendo apenas o Estado do Ceará no processo, por ser o responsável pelos atos praticados por agentes públicos no exercício da função.

O magistrado também negou o pedido de urgência para retirada das publicações. Na decisão, destacou que Darlei estava foragido no momento da divulgação das imagens e que a publicidade da fotografia fazia parte da tentativa de cumprir o mandado de prisão.

“O Delegado de Polícia, ao divulgar a imagem do investigado, atua, em princípio, no estrito cumprimento do dever legal e na tentativa de cumprir uma ordem judicial de prisão. A utilização de canais de comunicação para a localização de indivíduos com mandado de prisão em aberto é ferramenta inerente à atividade”, afirmou o juiz.

Rodrigo Campelo ressaltou ainda que, embora a presunção de inocência seja um direito fundamental, ela não impede a divulgação da imagem de investigados ou foragidos para auxiliar no cumprimento de ordens judiciais, especialmente em casos de grande repercussão e envolvendo investigação de crime hediondo.

O magistrado também observou que cabe ao Ministério Público acompanhar a legalidade da condução da investigação policial.

Crime aconteceu após vitória em vaquejada

De acordo com a investigação, Dadá Guedes comemorava com amigos após conquistar o primeiro lugar na competição de vaquejada quando foi atacado.

Testemunhas relataram que Darlei acompanhava o grupo e, quando a vítima retornou da arena trazendo o troféu, foi surpreendida antes mesmo de descer do cavalo.

O vaqueiro foi atingido por golpes de faca na região da virilha e do ombro. Ferido, caiu do cavalo e deixou o troféu cair no chão, onde acabou quebrado.

A vítima chegou a ser socorrida por colegas e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Após o ataque, o suspeito fugiu em uma motocicleta.

Imagens de câmeras de segurança do rancho registraram a movimentação logo após o homicídio.

Filha diz que pai agiu em legítima defesa

Após a repercussão do caso, a filha de Darlei enviou um relato à TV Verdes Mares afirmando que o pai teria agido para se defender de uma agressão.

Segundo ela, Darlei sofreu uma fratura na clavícula após ser atingido por um cavalo durante a confusão, o que teria impedido sua apresentação imediata à polícia por receio de não conseguir tratamento adequado no sistema prisional.

Ela também negou que a motivação do crime estivesse relacionada à divisão do prêmio da competição.

“Quanto aos fatos, a realidade é completamente outra da que foi divulgada. O acusado nunca exigiu divisão de prêmio, ele sequer participava da disputa, então de forma alguma ele seria beneficiado ou prejudicado pela divisão do prêmio”, afirmou.

Ainda segundo a filha, Darlei é réu primário, não possui antecedentes criminais, trabalha como pecuarista e caminhoneiro e nunca teria matado alguém por causa de R$ 1 mil.

Motivação do crime segue sob investigação

Logo após o homicídio, uma testemunha afirmou que o crime teria sido motivado por um desentendimento envolvendo a divisão do prêmio de R$ 2 mil conquistado por Dadá Guedes. Segundo esse relato, o suspeito queria receber parte do valor, embora não integrasse a equipe do campeão.

A vítima havia dividido a premiação apenas com outro competidor, ficando R$ 1 mil para cada um.

Entretanto, familiares de Dadá Guedes contestam essa versão. Segundo eles, Darlei não tinha qualquer vínculo com a premiação e o assassinato teria sido motivado por outro motivo, ainda investigado pela Polícia Civil.

“Esse cara não tinha nada a ver com a premiação, ele não estava correndo com o Dadá. Ele matou por pura crueldade e a gente quer justiça”, afirmou uma parente da vítima, que preferiu não ser identificada.

A organização da vaquejada informou que, antes de ser atacado, Dadá havia ido à arena apenas para receber o troféu. O dinheiro da premiação ainda não havia sido entregue a ele, tendo sido recebido pelo patrão, que faria posteriormente o repasse ao vaqueiro.

Com informações do G1

Zeudir Queiroz