MP denuncia trio por atentado com explosivo contra filha do presidente do Ceará

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Reprodução

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou, nesta quarta-feira (8), três homens acusados de envolvimento no envio de uma caixa de chocolates com explosivo para a filha adolescente de João Paulo Silva, presidente do Ceará Sporting Club. O atentado ocorreu em 25 de junho deste ano.

Foram denunciados Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa, Sérgio Tibúrcio dos Santos e André Luiz Level Barbosa da Silva pelos crimes de associação criminosa, ocultação de sinal identificador de veículo automotor, ameaça e exposição da vida, da integridade física e do patrimônio de terceiros por meio de explosão.

Kaio e Sérgio foram presos em 30 de junho. André Luiz segue foragido até a publicação desta reportagem. As defesas dos acusados não foram localizadas para comentar a denúncia.

Investigação aponta ação planejada

Segundo o inquérito policial, os três investigados se uniram para intimidar João Paulo Silva e colocaram em risco a vida da filha do dirigente, além de funcionários do local onde a encomenda foi entregue.

De acordo com a denúncia, o grupo foi até o curso de teatro frequentado pela adolescente utilizando duas motocicletas com as placas encobertas. O artefato explosivo estava escondido dentro de uma caixa de chocolates entregue junto com um buquê de flores.

A encomenda continha ainda um bilhete com a mensagem: “FORA JP SAFADO”, em referência à intenção dos suspeitos de pressionar pela saída de João Paulo da presidência do Ceará.

A caixa foi aberta por uma funcionária do estabelecimento, que acreditou que o presente havia sido enviado pelo namorado. No dia do atentado, a filha do presidente não estava no curso.

Uma testemunha informou que o homem responsável pela entrega utilizava uma bag semelhante às usadas por entregadores por aplicativo.

Bag e capacete foram encontrados na casa de suspeito

Conforme o Ministério Público, Kaio e Sérgio estavam em uma motocicleta, enquanto André conduzia outra.

Durante buscas na residência de André Luiz, policiais encontraram uma bag de motociclista e um capacete semelhantes aos registrados por câmeras de segurança que flagraram o momento da entrega do explosivo.

Impressão digital reforçou investigação

Um laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou uma impressão digital atribuída a Kaio Fellype Rodrigues Isackson da Costa na embalagem de um dos bombons enviados à filha de João Paulo.

Integrantes de uma torcida organizada do Ceará, Kaio e Sérgio foram presos em flagrante por associação criminosa. Em audiência de custódia, a Justiça converteu as prisões em flagrante para prisões preventivas.

Na decisão, a juíza destacou que o laudo papiloscópico reforça os indícios de participação de Kaio na preparação da encomenda explosiva.

Justiça cita risco à escola e gravidade da ação

A magistrada também considerou que o artefato foi enviado para uma escola em funcionamento, colocando estudantes, professores e funcionários em situação de risco.

Segundo a decisão, a ação demonstra planejamento prévio, atuação coordenada e tentativa de dificultar a identificação dos envolvidos, já que as motocicletas utilizadas estavam com as placas encobertas.

Essas circunstâncias, conforme a juíza, justificam a prisão preventiva para garantir a ordem pública, proteger as vítimas e preservar a investigação.

A decisão ainda registra que Sérgio Tibúrcio dos Santos já havia sido preso em flagrante em 2025 por suspeita de adulteração de veículo automotor, ocasião em que respondeu ao processo com medidas cautelares.

Também foi autorizada a coleta de material biológico (DNA) dos dois investigados para elaboração do perfil genético, conforme pedido do Ministério Público.

Filha do presidente teve ataque de pânico

Após o atentado, João Paulo Silva afirmou nas redes sociais que a filha sofreu um ataque de pânico ao tomar conhecimento da encomenda.

“Hoje aconteceu algo que nunca imaginei que pudesse acontecer. Até onde a política suja foi capaz de chegar. Minha filha recebeu no curso de teatro um ‘presente’ com uma bomba e uma carta com ataques a mim. Ela teve um ataque de pânico”, escreveu.

O caso ocorreu após uma série de protestos de integrantes de uma torcida organizada em frente à sede do Ceará Sporting Club, no bairro Porangabuçu, em Fortaleza, motivados pela crise vivida pela equipe e pelas críticas à gestão do presidente.

Em outra publicação, João Paulo afirmou:

“Aguento as porradas, o meu cargo exige isso. Mas mexeram com inocentes. E isso tudo somente pelo poder. Essa covardia não pode ser considerada normal. Já estou tomando as devidas providências legais para proteger a minha família e o Ceará Sporting Club.”

Com informações do G1

Zeudir Queiroz