
A Polícia Federal afirmou que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, adotou um modelo operacional semelhante ao utilizado pelo Banco Master, instituição que se tornou alvo de uma das maiores crises financeiras recentes do país.
A conclusão consta da representação que embasou a Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23), para apurar suspeitas de fraude financeira e manipulação de demonstrativos contábeis.
Busca e apreensão e bloqueio de bens
Ao todo, a PF cumpre nove mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao Banco Digimais. Embora Edir Macedo não tenha sido alvo das buscas por residir no exterior, a Justiça autorizou a quebra de seus sigilos e determinou o bloqueio de bens.
Segundo os investigadores, a instituição teria alterado registros regulatórios e contábeis para ocultar sua real situação financeira e transmitir uma falsa aparência de solvência aos órgãos de fiscalização.
Captação agressiva por meio de CDBs
No documento enviado à Justiça, a corporação afirma que o Digimais “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”.
De acordo com a investigação, o banco teria seguido o mesmo modelo de captação agressiva de recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), oferecendo taxas de rentabilidade muito acima das praticadas pelo mercado para atrair investidores.
A representação sustenta que a estratégia se apoiava na expectativa de cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo criado para proteger depositantes em caso de quebra de instituições financeiras.
Para os investigadores, a gestão do banco teria utilizado essa garantia para ampliar a liquidez, esconder passivos e transferir os riscos da operação para o sistema financeiro.
PF vê repetição do “modus operandi” do Banco Master
A Polícia Federal afirma que o caso do Banco Master serviu como paradigma para outras instituições e resume o “modus operandi atualmente sob investigação no Banco Digimais”.
Segundo o documento, a diretoria da instituição teria aproveitado a confiança dos depositantes no sistema de proteção para superavaliar ativos por meio da emissão de títulos com remuneração desproporcional aos indicadores de mercado e manipular balanços para esconder a deterioração da carteira de crédito.
Ligação entre Digimais e Banco Master entra na investigação
Os investigadores também apontam conexões entre as duas instituições.
Em janeiro de 2025, o ex-sócio e executivo do Banco Master, Maurício Antonio Quadrado, tentou adquirir o Digimais por meio da holding Bluebank, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
Além disso, o Digimais mantinha cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Banco Master. Para a PF, a manutenção desses ativos considerados de “origem duvidosa”, somada à captação agressiva de recursos, reforça indícios de gestão temerária ou fraudulenta.
–
Com informações do Correio Brasiliense
- Homem é preso por aplicar golpe com falsa campanha para criança com câncer em Cascavel - 24 de junho de 2026
- Prefeitura de Caucaia garante pagamento de aposentados e pensionistas do IPMC - 24 de junho de 2026
- Rodoviários do Ceará entram em greve e ônibus intermunicipais e interestaduais são afetados - 24 de junho de 2026
