Moro se reaproxima da família Bolsonaro e se filia ao PL para disputar governo do Paraná

Publicada em • Zeudir Queiroz

(Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado)

Após anos de rompimento e trocas de acusações, o senador Sergio Moro (União-PR) está prestes a selar uma reaproximação com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar deve se filiar ao Partido Liberal (PL) na próxima terça-feira (24), com o objetivo de disputar o governo do Paraná pela sigla.

Como parte do acordo, Moro oferecerá palanque no estado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República.

Do rompimento à reconciliação política

A reaproximação chama atenção devido ao histórico recente de conflitos. Em 2020, Moro deixou o governo Bolsonaro acusando o então presidente de tentar interferir na Polícia Federal para proteger aliados. Na época, a relação se deteriorou publicamente, com troca de críticas e acusações.

Agora, o movimento de reconciliação foi confirmado por Flávio Bolsonaro e pelo deputado Filipe Barros (PL-PR). Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio chamou Moro de “amigo” e celebrou a convergência de pautas. Moro respondeu com tom alinhado: “Presidente, vamos mudar esse país”.

O vídeo também contou com a presença de lideranças do PL, como Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho e Fernando Giacobo.

Estratégia política e disputa nacional

A aliança também tem motivações estratégicas. A movimentação de Flávio Bolsonaro busca pressionar o PSD, partido do governador do Paraná, Ratinho Jr., que disputa internamente a candidatura presidencial com Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. A decisão final caberá ao presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Para Moro, a filiação ao PL surge após ter enfrentado resistência dentro do União Brasil para viabilizar sua candidatura ao governo estadual.

Cenário eleitoral favorece Moro

Pesquisas do Instituto Paraná Pesquisas indicam que Moro lidera a corrida pelo Palácio Iguaçu em todos os cenários testados para o primeiro turno. Em simulações de segundo turno, ele também aparece como vencedor em todas as combinações analisadas.

O levantamento ouviu 1.300 eleitores em 54 municípios do Paraná, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Análises: ganhos e riscos da aliança

Especialistas avaliam que a aliança traz benefícios principalmente para Moro no cenário estadual. O consultor político Adriano Canutto destaca que a imagem construída por Moro na época da Lava Jato ainda lhe confere credibilidade e força política.

Segundo ele, a reconciliação reflete a dinâmica da política e pode contribuir para uma reorganização da direita no Brasil, com foco em pautas comuns.

Já o cientista político Heitor Veras pondera que o ganho para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial é mais limitado, sendo sobretudo estrutural. Ele alerta que o histórico de conflitos ainda pesa e pode gerar percepção de oportunismo entre eleitores.

“A memória do rompimento é forte e pode afetar a narrativa de reconciliação, especialmente entre eleitores atentos à coerência ética”, avalia.

Impacto no Paraná pode ser decisivo

Para o cientista político Eduardo Negrão, a aliança praticamente define a eleição no Paraná a favor de Moro, consolidando uma frente conservadora robusta. Ele aponta ainda que a aproximação foi facilitada pela convivência institucional entre Moro e Flávio no Senado nos últimos anos.

Negrão também avalia que o cenário atual resulta, em parte, de um erro estratégico de Ratinho Jr., que teria rejeitado uma aproximação com o PL. Caso fique fora do segundo turno, o governador pode enfrentar dificuldades políticas no futuro.

Com isso, a nova configuração política no Paraná e no campo da direita nacional ganha força, com potencial impacto tanto nas eleições estaduais quanto na disputa presidencial.

 Com informações do Correio Brasiliense

Zeudir Queiroz