Inquérito autorizado por André Mendonça apura suspeitas relacionadas aos recursos destinados à produção sobre Jair Bolsonaro

Dark Horse. – (Crédito: AFP)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou, nesta quinta-feira (10), o sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao Banco Master que tramitam na Corte. Algumas investigações, entretanto, continuam sob segredo de Justiça, incluindo processos ligados ao financiamento do filme Dark Horse.

Com a divulgação parcial dos documentos, veio a público a existência de um inquérito aberto para investigar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção cinematográfica pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O procedimento foi autorizado por André Mendonça em julho, a pedido da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes. As condutas ainda estão sob apuração e não representam uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Flávio aparece como investigado em um dos inquéritos

O financiamento de Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é apurado em dois inquéritos no Supremo.

Um deles está sob a relatoria de André Mendonça e investiga os repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. A Polícia Federal procura esclarecer em quais circunstâncias os pagamentos teriam sido realizados, a origem dos recursos, o valor efetivamente transferido e sua destinação final.

É nesse procedimento que Flávio Bolsonaro aparece formalmente entre os investigados. Apesar de Mendonça ter retirado o sigilo de diferentes processos relacionados ao Banco Master, o conteúdo integral desse inquérito continua sob acesso restrito.

Segunda apuração investiga produtora e emendas parlamentares

A outra investigação está sob a relatoria do ministro Flávio Dino e concentra-se na atuação da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

Nesse caso, a Polícia Federal apura a suspeita de que recursos provenientes de emendas parlamentares tenham sido desviados ou utilizados indiretamente para financiar a produção cinematográfica.

A investigação analisa repasses destinados a entidades e empresas relacionadas à produtora, além da movimentação financeira registrada durante o período das filmagens. A PF identificou coincidências entre datas, valores e operações envolvendo recursos públicos e despesas ligadas ao projeto.

Mensagens indicam pedido de recursos a Vorcaro

De acordo com mensagens divulgadas pela imprensa, Flávio Bolsonaro teria solicitado a Daniel Vorcaro o equivalente a aproximadamente R$ 131 milhões para financiar a execução de Dark Horse.

Documentos e planilhas apreendidos durante as investigações indicariam que parte do valor solicitado foi efetivamente repassada. A Polícia Federal trabalha para identificar a dimensão exata dos pagamentos, o caminho percorrido pelo dinheiro e os beneficiários finais.

As informações ainda serão confrontadas com extratos bancários, documentos contábeis, mensagens e outros materiais reunidos ao longo das investigações.

Prestação de contas não detalha origem dos recursos

Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao financiamento do filme. A prestação de contas completa da produção, entretanto, ainda não foi apresentada publicamente.

A Go Up Entertainment entregou à Justiça um demonstrativo das despesas realizadas, mas o documento não apresenta todos os detalhes sobre a captação e a origem dos recursos utilizados na produção.

A ausência dessas informações é um dos pontos que deverão ser esclarecidos pelas investigações. Os responsáveis pelo filme terão a oportunidade de apresentar documentos e explicações durante o andamento dos procedimentos.

Investigações seguem sem conclusão

Os dois inquéritos analisam frentes diferentes do financiamento de Dark Horse. Enquanto a apuração relatada por André Mendonça examina os supostos repasses de Daniel Vorcaro e inclui Flávio Bolsonaro entre os investigados, o procedimento conduzido por Flávio Dino concentra-se na suspeita de uso de emendas parlamentares e na movimentação financeira da produtora.

Até o momento, as apurações permanecem em andamento e não há decisão definitiva sobre a prática dos crimes investigados. A inclusão de uma pessoa em um inquérito não significa condenação ou comprovação de responsabilidade.

Com informação do Correio Brasiliense