
O Supremo Tribunal Federal (STF) montou um esquema especial de segurança para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus no processo da trama golpista. A estratégia prevê varreduras nas casas dos ministros, restrição do acesso à Praça dos Três Poderes e reforço no policiamento da sede da Corte, com agentes dormindo no local.
Reforço policial e efetivo 24 horas
Cerca de 30 policiais de tribunais de todo o país foram requisitados para Brasília e já estão instalados em um dormitório improvisado dentro do STF. Eles permanecem de prontidão 24 horas por dia, em regime de plantão, e devem ficar no local por pelo menos dois meses, com possibilidade de prorrogação.
O Supremo utilizará todo o efetivo de sua Polícia Judicial no esquema especial. A Corte também discute com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal os últimos detalhes do plano, considerado necessário diante do aumento de ameaças recebidas pelos ministros.
Risco ampliado pelo 7 de Setembro
O julgamento começará em 2 de setembro e deve terminar no dia 12, coincidindo com as comemorações do 7 de Setembro, data em que grupos bolsonaristas já anunciaram manifestações. Para o tribunal, essa proximidade aumenta o risco de protestos e ataques, especialmente diante da possibilidade de condenação do ex-presidente.
Outro fator de preocupação é a avaliação de que as hostilidades contra o STF podem se estender por meses, inclusive após o julgamento, coincidindo com a posse do ministro Edson Fachin na presidência da Corte, marcada para 29 de setembro.
Ameaça de ataques individuais
A maior preocupação da equipe de segurança não é apenas com grupos organizados, mas com ações isoladas. O exemplo mais recente foi o ataque de Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiü França, que se explodiu ao lado da estátua da Justiça em novembro passado. Para evitar conotação positiva ao termo “lobo solitário”, esses casos têm sido chamados de “ratos solitários”.
Após esse episódio, o STF reinstalou as grades de proteção ao redor do prédio, que permanecerão por tempo indeterminado. As barreiras haviam sido retiradas simbolicamente em fevereiro de 2024 pelo presidente Lula, pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como um gesto de confiança democrática.
Presença de Bolsonaro ainda é incerta
A segurança também considera a possibilidade de Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, tentar assistir ao julgamento presencialmente. O ex-presidente já manifestou a pessoas próximas o desejo de comparecer a algumas sessões e encarar os ministros, mas ainda avalia o impacto político da decisão.
Caso compareça, a proteção precisará ser reforçada, tanto pelo simbolismo da presença de um ex-presidente no banco dos réus quanto pelo potencial de mobilização entre seus apoiadores.
Julgamento marcado
O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, marcou sessões para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. A expectativa é de que a análise do núcleo central da trama golpista dure cerca de duas semanas.
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