Morre Juca, ícone da dramaturgia brasileira, aos 91 anos

Publicada em • Zeudir Queiroz

Internação e últimos dias

Juca de Oliveira morreu aos 91 anos • Fábio Rocha/TV Globo

O ator Juca foi hospitalizado no dia 13 de março em decorrência de complicações de saúde. Três dias depois, em 16 de março, ele completou 91 anos, já sob cuidados médicos. A notícia mobilizou fãs e admiradores de sua longa trajetória artística.

Formação e início da carreira

Antes de se consagrar como ator, Juca iniciou seus estudos em Direito na Universidade de São Paulo (USP) e chegou a trabalhar em um banco. No entanto, a vocação artística falou mais alto. Ele decidiu abandonar tanto a faculdade quanto o emprego para se dedicar à atuação, ingressando na Escola de Arte Dramática.

Durante esse período, integrou o renomado Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde atuou ao lado de grandes nomes como Aracy Balabanian. No palco, participou de montagens importantes, como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller.

Consolidação no teatro e envolvimento político

Com mais de quatro décadas de carreira, Juca construiu uma trajetória sólida, acumulando mais de 60 peças teatrais, além de trabalhos no cinema e na televisão. Na década de 1960, tornou-se um dos nomes ligados ao Teatro de Arena, que adquiriu em parceria com artistas como Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império.

Seu envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro acabou resultando em perseguições durante o regime militar. Diante desse cenário, o ator se exilou na Bolívia por um período.

Retorno ao Brasil e carreira na televisão

Após retornar ao país, Juca retomou sua carreira artística e participou da novela “Quando o Amor É Mais Forte” (1964), da TV Tupi. Sua estreia na TV Globo ocorreu em 1973, na novela “O Semideus”, em que interpretou Alberto Parreiras.

Ao longo dos anos, também trabalhou em outras emissoras, como a Bandeirantes, em “A Idade da Loba”, e o SBT, em “Os Ossos do Barão”. Em 1993, voltou à Globo para integrar o elenco de “Fera Ferida” e, posteriormente, participou de “Torre de Babel”.

Personagens marcantes e reconhecimento

Entre seus trabalhos mais memoráveis está o personagem Doutor Albieri, da novela “O Clone” (2001), escrita por Gloria Perez. Na trama, ele interpretava um cientista responsável por criar um clone humano, vivido por Murilo Benício. O papel marcou gerações e foi amplamente reprisado na televisão.

Juca também esteve em outras produções de destaque, como “Espelho Mágico” (1977), “Saramandaia” (1976), “Fera Ferida” (1993-1994) e “Flor do Caribe” (2013).

Últimos trabalhos e legado

Seu último trabalho na televisão foi em “O Outro Lado do Paraíso” (2018), no qual interpretou o personagem Natanael. Após esse período, o ator se afastou da TV, dedicando-se principalmente ao teatro e à vida em sua fazenda.

Com uma carreira extensa e diversificada, Juca deixa um legado significativo para a dramaturgia brasileira, sendo lembrado por sua versatilidade, compromisso artístico e contribuição para a cultura nacional.

Zeudir Queiroz