Ex-companheiro de Grêmio e correligionário político, Danrlei rompe com Jardel

Amizade começou no Grêmio e continuou na vida e na política. FOTO: Divulgação/ TXT Assessoria
Amizade começou no Grêmio e continuou na vida e na política. FOTO: Divulgação/ TXT Assessoria

Alegando ter sofrido ameaças no Rio Grande do Sul, o ex-jogador de futebol e atual deputado estadual Mário Jardel perdeu um amigo e companheiro neste novo obstáculo da sua vida. O também ex-atleta e, agora, correligionário político do PSD, Danrlei de Deus, declarou em nota seu “rompimento político e pessoal” com o cearense.

“Alguém que logo no início de uma longa jornada, a de um mandato parlamentar, falha em princípios éticos como lealdade, confiança e consideração. Não quero relacionar-me publicamente com quem conduz seu mandato e sua vida da maneira como meu ex-colega demonstrou que vai conduzir”, afirmou Danrlei.

O ex-goleiro do Grêmio se refere à demissão de 16 servidores do gabinete na Assembleia Legislativa gaúcha, promovida por Jardel, que alegou “má administração“. Após a exoneração, ele pediu licença do Legislativo e viajou para Fortaleza, motivado por ameaças que teria sofrido no estado.

A amizade de Danrlei e Jardel começou no Tricolor Gaúcho, onde o cearense foi ídolo, e se estreitou nos problemas pessoais que Jardeu viveu e, depois, na política.

“Por mais de 20 anos, fui colega de clube, parceiro e amigo do hoje Dep. Mario Jardel de Almeida Ribeiro, tendo, inclusive, buscado estimular sua candidatura nas últimas eleições, até como forma de superação de estágios pessoais que em outras circunstâncias sei que seriam difíceis de transpor”, lembrou Danrlei, na nota.

A licença de Jardel termina na próxima quinta-feira (9), quando ele é esperado em Porto Alegre para reassumir o cargo público, que ganhou com 41.227 votos.

Confira nota de Danrlei na íntegra:
“A arte ou ofício de exercer a boa política carrega consigo responsabilidade, solidariedade, lealdade e compromissos maiores de todos os representantes parlamentares com seus eleitores e com a sociedade como um todo que tem o dever de representar.
Por mais de 20 anos, fui colega de clube, parceiro e amigo do hoje Dep. Mario Jardel de Almeida Ribeiro, tendo, inclusive, buscado estimular sua candidatura nas últimas eleições, até como forma de superação de estágios pessoais que em outras circunstâncias sei que seriam difíceis de transpor.
Empenhei-me pessoalmente em sua eleição, dedicando esforço pessoal, carinho, amizade e até compromisso político com seu voto. A eleição de Mario Jardel à Assembleia Legislativa contou com um verdadeiro “time político” tanto meu quanto do PSD que já vinham envolvidos com minha candidatura e meu desempenho junto à Câmara dos Deputados. A sua eleição representou não apenas uma vitória deste grupo, mas também o êxito de uma missão partidária ao qual não apenas Jardel, como também este “time Pessedista” e os meus eleitores puderam se identificar ao longo desta caminhada.
Lamento, contudo, que mesmo sendo um período curto em que exerce seu mandato na Assembleia Legislativa, eu me obrigue, por dever de lealdade e compromisso político com os milhares de gaúchos que elegeram não apenas Jardel mas também a mim, a romper publicamente com este a quem confiei minhas mais profundas e sinceras expectativas.
Alguém que logo no início de uma longa jornada, a de um mandato parlamentar, falha em princípios éticos como lealdade, confiança e consideração. Não quero relacionar-me publicamente com quem conduz seu mandato e sua vida da maneira como meu ex-colega demonstrou que vai conduzir.
A partir de agora, declaro meu rompimento político e pessoal com Mario Jardel, justamente por ele descumprir tais normas elementares sobre a qual tínhamos consenso e acordo que haveríamos de cumprir.
Espero que pelo menos mantenha o compromisso político de honrar o mandato que o PSD ajudou-o a conquistar.”
Fonte: Diário do Nordeste
Zeudir Queiroz