Dia do Nordestino celebra a cultura, a história e a força de nove estados

Publicada em • Zeudir Queiroz

Data comemorada em 8 de outubro homenageia a diversidade regional e reconhece a contribuição dos nordestinos para a formação do Brasil

Foto: Agência Senado

Nove estados, diferentes sotaques, expressões culturais diversas e uma identidade marcada pela resistência, criatividade e orgulho de suas origens. Nesta quinta-feira (8), é celebrado o Dia do Nordestino.

A data é uma oportunidade para reverenciar a história, a cultura e a contribuição social e econômica dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Apesar das particularidades de cada estado, o sentimento de pertencimento aproxima milhões de brasileiros que nasceram no Nordeste ou adotaram a região como sua terra.

Data surgiu em São Paulo

A celebração foi criada inicialmente pela Câmara Municipal de São Paulo, por meio da Lei nº 14.952, sancionada em 13 de julho de 2009. A norma incluiu o Dia do Nordestino no calendário oficial da capital paulista, com comemoração em 8 de outubro.

A escolha ocorreu no ano do centenário de nascimento do poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva, conhecido nacionalmente como Patativa do Assaré. Nascido em 5 de março de 1909, no município de Assaré, ele morreu em 8 de julho de 2002, aos 93 anos.

Embora a homenagem tivesse caráter municipal, o dia 8 de outubro passou a ser amplamente lembrado em diferentes regiões do país como uma data de valorização do povo e da cultura nordestina.

Em 2019, a cidade de São Paulo alterou sua comemoração municipal para 2 de agosto, data da morte de Luiz Gonzaga. Mesmo assim, o 8 de outubro continuou sendo celebrado nacionalmente por instituições, movimentos culturais, veículos de comunicação e entidades representativas.

Patativa do Assaré tornou-se símbolo da cultura popular

Poeta popular, compositor, cantor e improvisador, Patativa do Assaré transformou a realidade do sertão em versos marcados pela sensibilidade, crítica social e valorização da linguagem do povo.

Filho de agricultores, teve pouco acesso à educação formal, mas construiu uma das obras mais representativas da poesia popular brasileira. Seus textos abordaram temas como seca, desigualdade social, trabalho no campo, fé, política e a dignidade do sertanejo.

Entre suas obras mais conhecidas estão Inspiração Nordestina, Cante Lá que Eu Canto Cá e Ispinho e Fulô. Sua trajetória ajudou a dar visibilidade nacional às experiências e aos desafios enfrentados pela população do interior nordestino.

A comemoração criada em São Paulo em 2009 também foi marcada por uma homenagem ao centenário do poeta.

Nordeste reúne ampla diversidade cultural

O Nordeste ocupa uma posição fundamental na formação histórica e cultural do Brasil. A identidade da região está presente na literatura de cordel, no repente, no forró, no baião, no maracatu, no frevo, no samba de roda, no bumba meu boi e em inúmeras manifestações religiosas e populares.

A culinária também traduz a diversidade dos nove estados, com pratos e ingredientes como baião de dois, carne de sol, acarajé, vatapá, cuscuz, tapioca, buchada, rapadura, queijo coalho e frutos do mar.

A região ainda revelou importantes nomes da música, da literatura, do cinema, do teatro, das artes visuais, da educação, da ciência e da política brasileira. Luiz Gonzaga, Rachel de Queiroz, Ariano Suassuna, Jorge Amado, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Belchior, Maria Bethânia e Paulo Freire estão entre as personalidades que ajudaram a projetar a cultura nordestina nacional e internacionalmente.

Projeto pretende nacionalizar a comemoração

O Projeto de Lei nº 2.755/2022 pretende incluir oficialmente o Dia Nacional da Nordestina e do Nordestino no calendário brasileiro, com celebração anual em 8 de outubro.

A proposta foi apresentada pelo senador Angelo Coronel, da Bahia, como forma de reconhecer a contribuição dos nordestinos para o desenvolvimento do país e combater manifestações de preconceito e xenofobia.

O projeto foi aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Educação e Cultura do Senado, em novembro de 2024, e encaminhado à Câmara dos Deputados.

Na Câmara, o texto recebeu parecer favorável da Comissão de Cultura em 8 de abril de 2026. Atualmente, aguarda a designação de um relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A proposta ainda precisa concluir sua tramitação na Câmara. Se for aprovada sem alterações, seguirá para sanção presidencial. Caso os deputados modifiquem o conteúdo, o texto deverá retornar ao Senado.

Projeto também homenageia Catulo da Paixão Cearense

A escolha do dia 8 de outubro no projeto nacional também faz referência ao nascimento de Catulo da Paixão Cearense, poeta, músico e compositor nascido em São Luís, no Maranhão, em 8 de outubro de 1863.

Conhecido como “Poeta do Sertão”, Catulo escreveu letras e poemas que contribuíram para a valorização da cultura popular e da música brasileira. A proposta reconhece sua trajetória como mais um símbolo da identidade nordestina.

Celebração também combate o preconceito

Além de homenagear as tradições regionais, o Dia do Nordestino chama atenção para a necessidade de combater a xenofobia e a discriminação enfrentadas por pessoas da região.

Ao longo da história, milhões de nordestinos migraram para outras partes do Brasil e contribuíram diretamente para o crescimento das cidades, a construção civil, a indústria, o comércio, a agricultura, a produção artística e o desenvolvimento econômico nacional.

Celebrar a data é reconhecer essa contribuição e reafirmar que os sotaques, costumes e tradições nordestinas integram o patrimônio cultural brasileiro.

Mais do que uma referência no calendário, o Dia do Nordestino representa uma homenagem a um povo que transformou desafios em força, arte, trabalho e esperança.