Brasil é o pior do mundo no combate à COVID, aponta estudo

Nova Zelândia ocupa primeiro lugar do ranking elaborado pelo Lowy Institute. Foram considerados critérios com número de casos, mortes e testagem

Brasil alcançou 220 mil mortes por COVID-19 até esta quinta-feira (28/01)
(foto: MÁRCIO JAMES/AFP)

A pior gestão governamental à  COVID-19 tem sido realizada no Brasil, conforme demonstrou uma comparação mundial de países de todos os continentes. Em um ranking, que inclui 98 nações, o Brasil ocupa a última posição no levantamento elaborado pelo Lowy Institute, organização baseada em Sydney, na Austrália.

O Instituto destaca que a COVID-19 se espalhou por 199 países com mais de 90 milhões de casos confirmados. Quase 10% deles estão no Brasil, que registrou 8.996.876 casos e 220.261 mortes até esta quinta (28). Desde a confirmação dos primeiros casos, o país não conseguiu controlar a transmissão nem o número de mortes. O país está sob observação pela explosão de casos e mortes em Manaus, com o surgimento de uma variante mais severa do novo coronavírus.

O levantamento se baseou em seis critérios: total de casos confirmados, total de mortes, casos confirmados por milhão de habitantes, mortos por milhão de habitantes, nível de testagem e casos confirmados por testes.
A gestão governamental mais efetiva à pandemia foi realizada na Nova Zelândia no bloco de melhores práticas estão Vietnã, Taiwan, Tailândia, Cyprus, Ruanda, Islândia, Austrália, Latvia e Sri Lanka.
Países europeus, como Alemanha e Itália, estão em posições intermediárias na tabela, respectivamente na 55ª e 59ª colocações. Reino Unido,  França e Espanha têm performances piores diante da pandemia 66ª, 63ª e 78ª posições.
O desempenho do Brasil é pior do que o dos vizinhos Chile (89ª), Bolívia (93ª) e Colômbia (96ª).  Os Estados Unidos estão na 94ª posição a China não foi incluída no ranking pela lacuna na divulgação de dados sobre testagem.
O Lowy Institute destaca que, embora o surto de coronavírus tenha começado na China, os países da Ásia-Pacífico, foram os mais bem-sucedidos em conter a pandemia. Em contraste, rapidamente a COVID-19 chegou à Europa e depois aos Estados Unidos. No entanto, a Europa registrou a maior melhoria ao longo do tempo, mas voltou a sucumbir a uma segunda onda mais severa de pandemia nos meses finais de 2020.
O Lowy Institute é uma organização independente e não partidária de políticas internacionais. Fornece pesquisa de alta qualidade e perspectivas distintas sobre as tendências internacionais que moldam a Austrália e o mundo.
PALAVRA DE ESPECIALISTA 
Helga Almeida. Doutora em Ciência Política pela UFMG. Professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco
“Esse ranking vem corroborar o que pesquisadores brasileiros já tinham concluído pela observação dos dados desde o começo da pandemia. O governo brasileiro não se preparou. O primeiro caso surgiu em dezembro em Wuhan, na China. Mesmo depois do primeiro caso no Brasil, não vimos uma ação mais firme e mais rápida do governo federal. Pelo contrário, a resposta foi lenta e pequena. A pandemia se espalha rapidamente e não há coordenação de ações pelo governo. Esse é o ponto mais importante. Nosso sistema de saúde coloca prerrogativas para todos os entes federados: municípios, estados e  União. l A maior responsabilidade é do governo federal que tem acesso a maior orçamento mais e tem quadro mais qualificado para fazer a coordenação das ações. O governo federal deveria condenar o Sistema Único de Saúde (SUS), mas lava as mãos. Não existe coordenação do governo federal, que não cria planos de contenção, não dá diretrizes, não conversa com a população, não colocar propaganda na televisão instruindo a população do quê fazer. como se proteger. Pelo contrário, a gente vê um discurso negacionista desde o começo e que perdura, mesmo depois de 200 mil mortes. Essa falta de coordenação foi muito problemática no Brasil, onde temos mais de 5 mil municípios, a maioria de médios e pequenos. Quando o governo lava as mãos, são os prefeitos de pequenas cidades que têm que tomar as decisões que são decisões que precisam de maior arcabouço de conhecimento e de técnicos. O governo disse que o STF proíbe de fazer coisas mas não é verdade.

Ranking 
1. Nova Zelândia
2. Vietnã
3. Taiwan
4. Tailândia
5. Cyprus
6. Ruanda
7. Austrália
8. Latvia
9. Sri Lanka
10. Uruguai
 26. Moçambique
 29. Zâmbia
 30. Uganda
 55. Alemanha
 59. Itália
 61. Canadá
 62. Israel
 63. Portugal
 66. Reino Unido
 73.França
 89. Chile
 90. Ucrânia
 91. Oman
 92. Panamá
 93.Bolívia
 94. EUA
 96. Colômbia
 97. México
 98. Brasil
Fonte: https://www.em.com.br/
Zeudir Queiroz