Projeto transforma 165 crianças em protagonistas da aprendizagem no interior do Ceará

Publicada em • Zeudir Queiroz

Brinquedos antigos confeccionados por pais e filhos, receitas “mágicas”, experiências com cores e exposições para a comunidade escolar fazem parte de iniciativa desenvolvida com 165 crianças de 3 e 4 anos em Altaneira

Foto: Créditos: Divulgação/ Aprende Brasil Educação

Brinquedos antigos construídos em família, experiências com cores e sabores, histórias dramatizadas e descobertas compartilhadas com a comunidade escolar. Na Escola Municipal de Educação Infantil em Tempo Integral (Emeiti) Francinilda Bitu dos Santos, em Altaneira, no Ceará, essas atividades passaram a integrar o cotidiano de 165 crianças de 3 e 4 anos por meio do projeto Voos de Vivências: crianças protagonistas, professores em formação e famílias em participação.

A proposta transformou diferentes espaços e momentos da escola em oportunidades de investigação, criatividade e troca entre crianças, educadores e famílias. A partir de um dos livros didáticos utilizados pelas turmas, foram realizadas três exposições na unidade escolar, permitindo que pais e responsáveis acompanhassem as experiências e produções desenvolvidas pelos pequenos.

A metáfora do voo orientou a iniciativa: a ideia foi promover uma viagem coletiva e aberta às descobertas, na qual as crianças deixassem de ser apenas passageiras para assumir também o papel de “pilotos” do próprio processo de desenvolvimento.

Segundo a diretora da escola, Liliane Santos, o uso do material didático ajudou a ampliar as possibilidades pedagógicas e a organizar práticas que respeitassem as crianças, suas culturas e diferentes maneiras de aprender.

“O uso efetivo do material adquirido pela Secretaria Municipal de Educação contribuiu para organizar experiências diversificadas, criativas e intencionais, favorecendo o desenvolvimento das crianças por meio de propostas que envolvem imaginação, linguagem, movimento, investigação, arte, oralidade, cultura, ludicidade e participação familiar”, afirma.

Curiosidade vira ponto de partida para aprender

As experiências foram organizadas em três grandes eixos temáticos. No primeiro, Curioso Cardápio Mágico, as crianças colocaram a mão na massa no preparo de receitas e experiências, como fazer gelo, biscoito com recheio de chocolate e sorvete de banana. Durante as atividades, puderam explorar cheiros, sabores e texturas, além de participar de jogos simbólicos envolvendo imaginação e alimentação.

No segundo eixo, Curiosas Misturas Mágicas, os estudantes exploraram a criação de cores, brincadeiras cantadas, danças e construção de objetos. Entre os destaques esteve a confecção de instrumentos musicais inspirados na obra A banda de lata, do artista Eduardo Lima, apresentada no livro utilizado pelas turmas.

Já em Curiosas Histórias Mágicas, as crianças participaram de dramatizações de contos, recontaram narrativas, desenvolveram produções artísticas e exploraram aspectos culturais relacionados a paisagens e personagens.

Para a diretora pedagógica da Aprende Brasil Educação, Acedriana Vogel, as exposições realizadas ao longo do projeto ajudaram a valorizar as produções das crianças e a aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido na escola.

“Mais do que apresentar produções infantis, as exposições e todo o percurso vivido no Voos de Vivências reafirmaram a identidade da Emeiti Francinilda Bitu dos Santos como um espaço de pertencimento e acolhimento. As crianças provaram que, quando a infância é respeitada e escutada com sensibilidade, aprender se torna a mais encantadora das viagens”, afirma.

Brinquedos antigos aproximam gerações

Um dos momentos de maior participação das famílias foi a oficina de construção de brinquedos antigos. Pais e responsáveis foram convidados a recriar, junto com as crianças e utilizando materiais recicláveis, objetos e brincadeiras que fizeram parte de suas próprias infâncias.

Com as turmas do Infantil 3, foram confeccionados cataventos, asas e paraquedas, utilizados também para experiências relacionadas ao vento. No Infantil 4, a criatividade resultou em uma casinha de boneca de papelão, boneca de espiga de milho, carrinho feito com lata de sardinha, bonecas produzidas com caixas de ovos, bilboquê, avião, violão, caxixi, tambores, pião, telefone sem fio e bonecos feitos com tampinhas de garrafa.

Para Liliane Santos, a atividade ultrapassou os objetivos pedagógicos e se transformou em uma oportunidade de aproximação entre gerações.

“O resultado foi além da atividade pedagógica: gerou conexão afetiva e fortaleceu vínculos entre casa e escola. Quando os pais participam, tudo ganha ainda mais sentido”, ressalta.

Famílias levam memórias para dentro da escola

A participação familiar não ficou restrita às oficinas. Pais e responsáveis também contribuíram com relatos, objetos e memórias e participaram da construção do Livro de Bordo e do Livro dos Tesouros.

Segundo a diretora, as exposições nasceram justamente da percepção da equipe sobre a quantidade e a diversidade das produções realizadas pelas crianças.

“As exposições surgiram da vontade de dar visibilidade ao que era construído pelas crianças em sala, depois que a nossa equipe percebeu a riqueza das produções desenvolvidas pelos pequenos. Por isso, sentimos que seria importante compartilhar esse trabalho com as famílias, transformando a escola em um espaço de partilha e valorização da infância”, destaca Liliane.

A iniciativa buscou, dessa forma, aproximar dois ambientes fundamentais para o desenvolvimento infantil: a casa e a escola. Ao compartilhar memórias e participar das atividades, as famílias também passaram a acompanhar mais de perto as descobertas feitas pelas crianças durante o processo de aprendizagem.

Formação de professores acompanha desenvolvimento do projeto

Além do trabalho com as crianças e da participação das famílias, o projeto envolveu a formação continuada da equipe pedagógica. A coordenação, formada por Naraiane Sousa e Meires Moreira, e os 18 professores participantes tiveram momentos de estudo e planejamento para adaptar as propostas do material didático à realidade de cada turma.

De acordo com Acedriana Vogel, a formação continuada contribui para que o planejamento considere as necessidades e particularidades das crianças.

“A formação continuada amplia o repertório do educador e contribui para um planejamento mais inclusivo, capaz de respeitar singularidades, fortalecer o protagonismo infantil e favorecer a parceria ativa das famílias no processo educativo. Quando a criança tem espaço para explorar, criar, fazer perguntas e compartilhar descobertas, ela desenvolve autonomia, repertório e confiança em suas capacidades”, completa.

Sobre a Aprende Brasil Educação

A Aprende Brasil Educação atua em todo o território nacional com soluções voltadas à educação pública, atendendo estudantes da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental e apoiando redes de ensino no processo de aprendizagem.

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