
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa afirmou que está proibido de conceder entrevistas. A informação foi dada após ser procurado pela reportagem do Correio. Questionado sobre o motivo da restrição e quem a teria determinado, o sacerdote disse que não poderia prestar esclarecimentos.
A declaração ocorre após a divulgação de uma carta aberta dirigida ao cardeal Dom Paulo Cézar Costa e aos fiéis da Arquidiocese de Brasília. No documento, publicado nas redes sociais da Capela Santo Atanásio nesta quinta-feira (16), o sacerdote responde à decisão da Arquidiocese que o declarou excomungado em razão de sua adesão formal às posições doutrinárias da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX).
Padre rejeita excomunhão e acusações de cisma
Ao longo de dez páginas, Françoá contesta a decisão da Arquidiocese, afirmando que ela não encontra respaldo no direito canônico. Segundo ele, sua adesão à FSSPX não rompe sua comunhão com a Igreja Católica.
“Não é verdade que eu seja cismático nem excomungado”, escreveu o sacerdote ao contestar a nota pastoral divulgada após as sagrações episcopais promovidas pela fraternidade, sem autorização papal, em 1º de julho, na Suíça.
Na carta, ele afirma que continua professando integralmente a fé católica e sustenta que sua atuação é motivada pela defesa da tradição da Igreja.
“A minha luta é totalmente doutrinal: quero a fé católica, a Roma eterna, a fé de sempre”, declarou.
O sacerdote também afirma que ele e os frequentadores da Capela Santo Atanásio reconhecem a autoridade do papa Leão XIV. Segundo o documento, a comunidade reza pelo pontífice em todas as missas e permanece em comunhão com a Igreja “na Fé, nos Sacramentos e no Regime da Igreja”.
Críticas ao Concílio Vaticano II e à CNBB
Na carta, Françoá faz duras críticas ao Concílio Vaticano II, à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a documentos recentes do Vaticano. Segundo ele, integrantes da hierarquia da Igreja estariam contrariando a doutrina católica.
O sacerdote afirma que sua saída da Arquidiocese foi consequência da defesa da tradição católica e diz que decidiu vincular-se à FSSPX em abril de 2025 por discordar dos rumos da Igreja após o Concílio Vaticano II.
Em outro trecho, critica a reforma litúrgica promovida após o Concílio e afirma que não suportava mais “rezar aquela Missa protestantizada de Paulo VI”. Também rejeita encontros ecumênicos e declara que “o que se vive hoje na nova Igreja Católica, sinodal, modernista, globalizada, afeminada, é uma farsa”, embora sustente que permanece pertencendo à Igreja Católica.
Defesa das sagrações episcopais
Ao justificar as sagrações episcopais realizadas pela FSSPX sem autorização papal, Françoá afirma que elas ocorreram diante de um “grave estado de necessidade” e, por isso, não produziram excomunhões válidas.
“Não houve excomunhões”, sustenta o sacerdote, acrescentando que também não considera que tenha ocorrido um ato de cisma.
Ele reafirma ainda que rejeita diversos ensinamentos decorrentes do Concílio Vaticano II, entre eles a liberdade religiosa, o ecumenismo, a reforma da missa e a colegialidade-sinodalidade. Segundo o padre, se a aceitação dessas mudanças for condição para a plena comunhão com a Igreja, ele e os fiéis da capela permanecerão “de fora” por mais tempo.
Padre diz que continuará celebrando na Capela Santo Atanásio
Na parte final da carta, Françoá relaciona a redução do número de católicos no Brasil às mudanças implementadas após o Concílio Vaticano II. Também critica documentos como Dignitatis Humanae e Gaudium et Spes, afirmando que eles estariam em desacordo com o reinado social de Cristo.
Apesar da declaração de excomunhão anunciada pela Arquidiocese de Brasília, o sacerdote afirma que continuará administrando os sacramentos na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia. Segundo ele, os sacramentos permanecem válidos e lícitos, pois a legislação canônica supriria eventual ausência de jurisdição ordinária em razão da situação extraordinária enfrentada pela Igreja.
Ao encerrar a carta, Françoá faz um apelo aos bispos brasileiros para que adotem as posições defendidas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X e convida os fiéis a frequentarem a Capela Santo Atanásio.
Em nota destinada à imprensa, anexada ao documento, o sacerdote reafirma que ele e a capela aderem às mesmas posições doutrinárias da FSSPX e informa que as atividades religiosas serão mantidas normalmente.
Na manifestação, reforça o entendimento de que “não somos cismáticos nem excomungados” e afirma que continuará exercendo o ministério “em paz e em comunhão com a Igreja Católica, da qual jamais queremos nos separar”.
Procurado pela reportagem, Françoá Rodrigues Figueiredo Costa confirmou apenas que está proibido de conceder entrevistas, sem informar o motivo da restrição nem quem determinou a medida.
- Padre Françoá Costa diz que foi proibido de dar entrevistas após declaração de excomunhão - 16 de julho de 2026
- ExpoCrato 2026 fortalece turismo, economia e cultura do Cariri - 16 de julho de 2026
- Foto mostra Flávio Bolsonaro ao lado de homem apontado como “Sicário” de Vorcaro - 15 de julho de 2026
