Thiago Celso Andrade Reges foi preso após reitoria da Universidade Estadual do Ceará (Uece) descobrir que ele falsificou diploma de universidade boliviana.

Documentos aos quais o g1 teve acesso mostram que o falso médico trabalhou em pelo menos quatro hospitais do Ceará. Em apenas um deles, na cidade de Itapajé, ele tinha remuneração mensal de R$ 42 mil.
Com certificado de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), ele adquiriu armas de fogo, capturadas em operações policiais. Conforme a denúncia contra Thiago Celso, ele também usou parte do dinheiro obtido com o exercício ilegal da medicina para investir a cavalos de alto valor.
‘Inapto’ para função de diretor
Uma servidora de Itapajé, que prefere não se identificar, informou ao g1 que Thiago era conhecido na cidade e buscava fazer plantões para aumentar a remuneração. Quando houve vacância no cargo de diretor de uma unidade de saúde do município, ele se candidatou à vaga, mas foi reprovado por “ser considerado inapto para a função”.
A captura de Thiago ocorreu em 17 de março, no Bairro Cocó, em um prédio da área nobre da capital cearense. Além do exercício ilegal da medicina, ele é investigado por estelionato e falsidade ideológica e de documentos, pois tentou validar um falso diploma.
O caso corre em segredo de Justiça. Além disso, o homem responde por tráfico internacional de mulheres, no Acre.
Em 2020, por meio de uma decisão judicial, o falso médico conseguiu que a reitoria da Universidade Estadual do Ceará (Uece) aprovasse a revalidação nacional do diploma de médico supostamente obtido da Universidad Privada Abierta Latinoamericana, na Bolívia.
Na ocasião, ele chegou a ser registrado no Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec). Posteriormente, foi descoberto que o diploma era falso e que o homem não havia concluído o curso.
Durante as investigações, conduzidas pelo 5º Distrito Policial do Ceará, foi verificado que o Cremec já havia recolhido a carteira do órgão, que havia sido obtida de forma fraudulenta e instaurado procedimento administrativo contra o suspeito.
Na cidade de Mulungu, Thiago também foi médico plantonista temporário em um hospital municipal, em abril e maio de 2021. Na ocasião, ele recebeu salário de R$ 2 mil e R$ 5.200.
Em Pentecoste, Thiago foi médico plantonista do hospital da cidade por 11 meses, de janeiro a novembro de 2022. À época, o homem recebeu salários mensais de R$ 8.184 a R$ 11.360.
O período e o salário que o falso médico recebeu quando trabalhou no hospital de Baturité não foi disponibilizado pelo órgão.
Fonte: https://g1.globo.com/
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