
A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como feminicídio após o avanço das perícias.
A prisão ocorreu por volta das 8h12, no apartamento do oficial, localizado no bairro Jardim Augusta, região central de São José dos Campos (SP). O militar foi encontrado no imóvel durante uma operação conjunta com agentes da Corregedoria da PM.
Segundo a Polícia Civil, o tenente-coronel será encaminhado ao 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde prestará depoimento. Após os procedimentos, ele deve passar por exame de corpo de delito e ser levado ao Presídio Militar Romão Gomes.
Laudos contradizem versão de suicídio
A decisão pela prisão foi baseada em laudos da Polícia Técnico-Científica que apontam inconsistências na versão de suicídio. Entre os principais elementos analisados estão a trajetória do disparo e a profundidade dos ferimentos.
Os exames indicam que o tiro foi efetuado à queima-roupa, além de apontarem lesões no rosto e no pescoço da vítima. Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Gisele, o que reforça a suspeita de que ela não tenha efetuado o disparo.
Outro ponto relevante é a presença de manchas de sangue em diferentes cômodos do apartamento, sugerindo que o crime pode não ter ocorrido apenas no local onde o corpo foi encontrado.
Apesar disso, exames toxicológicos descartaram o uso de drogas ou álcool pela vítima e confirmaram que ela não estava grávida.
Relacionamento marcado por conflitos
Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, divulgadas pela família, indicam que a policial vivia um relacionamento conturbado. Em um dos trechos, ela afirma: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”.
Em depoimento, a mãe da vítima relatou que a filha vivia sob um relacionamento abusivo, marcado por comportamento controlador e violento por parte do companheiro.
Defesa nega crime
A defesa do tenente-coronel mantém a versão de suicídio e afirma confiar que os laudos finais comprovarão essa hipótese. O advogado do militar declarou que aguarda a conclusão das investigações com tranquilidade.
Por outro lado, o advogado da família da vítima afirma não ter dúvidas de que se trata de feminicídio e cobra a responsabilização do acusado.
Investigação segue em andamento
O caso ocorreu em 18 de fevereiro e ainda aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), que devem esclarecer a dinâmica do disparo.
A expectativa das autoridades é de que o Inquérito Policial Militar seja concluído nos próximos dias.
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Com informações do G1
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