
A operação da Polícia Federal que levou à prisão de cinco vereadores de Morada Nova, no interior do Ceará, nesta quinta-feira (12), teve início após um inquérito da Polícia Civil sobre tráfico de drogas identificar transações financeiras da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais no município em 2024.
A “Operação Traditori”, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE), investiga a atuação da facção no financiamento ilícito de campanhas eleitorais na cidade. Ao todo, os agentes cumpriram 16 mandados de prisão preventiva — sendo cinco contra vereadores — e 30 mandados de busca e apreensão. Os parlamentares presos foram afastados das funções públicas.
Os mandados foram cumpridos nos municípios cearenses de Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, além da cidade de São Paulo (SP). As ações ocorreram em locais como a Câmara Municipal de Morada Nova, residências e endereços empresariais dos investigados.
Investigação começou com apuração sobre tráfico
Segundo a Delegacia de Morada Nova, uma investigação iniciada em 2024, no âmbito de um inquérito de tráfico de drogas, levou à prisão de cerca de 21 integrantes da facção no início de 2025, entre eles o responsável financeiro do grupo na região.
Durante a análise das movimentações financeiras, os investigadores identificaram doações feitas por integrantes da facção para campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024.
Por envolver crime eleitoral, a delegacia compartilhou as informações com a Polícia Federal, que iniciou uma investigação própria sobre o possível envolvimento da organização criminosa com as eleições municipais.
“A investigação revelou a existência de um complexo esquema criminoso, vinculado a uma facção responsável pela movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, com clara infiltração do crime organizado na esfera pública”, informou a Polícia Federal.
Os investigados são suspeitos de lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e crimes eleitorais.
A Justiça Eleitoral determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos envolvidos, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e garantir a efetividade da investigação.
Quem são os vereadores presos
Entre os presos está o presidente da Câmara Municipal de Morada Nova, Hilmar Sérgio (PT). Conforme apurado pelo g1 com uma fonte da Câmara, os vereadores presos pela Polícia Federal foram:
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Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) — presidente da Câmara de Morada Nova;
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Lucia Gleidevania Rabelo, conhecida como Gleide Rabelo (PT) — secretária da mesa diretora da Câmara;
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Claudio Roberto Chaves da Silva, o Cláudio Maroca (PT);
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José Regis Nascimento Rumão (PP);
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José Gomes da Silva Júnior, o Júnior do Dedé (PSB), que está licenciado da vereança e, desde setembro de 2025, atua como secretário de Administração da Prefeitura de Morada Nova.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a decisão judicial também teve como alvo o ex-vereador José Weder, que teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral. No caso dele, foram autorizadas medidas de busca e apreensão e cautelares patrimoniais, mas não houve decreto de prisão.
Defesas e posicionamentos
Em nota enviada pelo advogado de defesa do vereador Hilmar Sérgio, Fernandes Neto, o parlamentar afirmou que recebeu a decisão judicial com surpresa e declarou não ter qualquer vínculo com organizações criminosas.
“Servidor público e militante político há quase 30 anos, residente de Morada Nova durante toda a vida, espera ter acesso aos autos para comprovar sua inocência”, disse a defesa.
Já a defesa do vereador licenciado e atual secretário municipal de Administração, Júnior do Dedé, informou que ainda não teve acesso ao processo e que, por enquanto, não irá se manifestar.
As defesas dos demais vereadores não foram localizadas.
A Câmara Municipal de Morada Nova, composta por 15 vereadores, informou nas redes sociais que suspendeu as atividades nesta quinta-feira. A vice-presidente da Casa, vereadora Jane Martins, explicou que a sessão legislativa chegou a ser iniciada, mas foi encerrada logo em seguida por falta de quórum. Ela não comentou as prisões.
Prefeitura diz não ser alvo da investigação
A Prefeitura de Morada Nova informou, em nota, que não é alvo da investigação e que não possui qualquer envolvimento com os fatos apurados.
“A Prefeitura reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, confiando que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal”, afirmou o município.
Superintendente da Sohidra também é investigado
Entre os investigados está ainda Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, conhecido como “Marco da Ana” ou “Marco Bica”, atual superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), órgão do Governo do Estado. Ele não foi preso, mas anunciou que irá se afastar do cargo.
Marco Antônio foi candidato a prefeito de Morada Nova pelo PT em 2024, mas não foi eleito. Ele já foi vereador da cidade e presidiu a Câmara Municipal em 2021 e 2022. Também atuou como procurador-geral do município, diretor do núcleo do Procon da Câmara Municipal e procurador-geral adjunto da União dos Vereadores do Ceará (UVC).
Em nota divulgada na tarde desta quinta-feira, o superintendente afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e informou que decidiu se afastar do cargo para preservar a Sohidra e garantir tranquilidade às investigações.
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Com informações do G1
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