Família denuncia tortura de jovem durante abordagem policial no Ceará

Publicada em • Zeudir Queiroz

Caso teria ocorrido em Capistrano; PM informou que abrirá investigação preliminar, enquanto CGD apura a denúncia administrativamente

Foto: Reprodução

A família de um jovem de 18 anos denunciou que ele teria sido torturado por policiais militares durante uma abordagem realizada no último sábado (17), no distrito de Sítio Curimatã, em Capistrano, no interior do Ceará.

Segundo o relato dos familiares, os agentes teriam usado uma faca, um martelo, um cabo de vassoura e um saco plástico durante as agressões. A vítima teria sofrido uma perfuração na mão, golpes no joelho e outras lesões.

A família registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil e na Controladoria-Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). Um vídeo produzido após a abordagem mostra ferimentos apresentados pelo jovem.

As acusações ainda estão sob investigação, e a participação individual de cada agente deverá ser esclarecida durante as apurações.

Família relata entrada de policiais sem mandado

Conforme os familiares, os policiais chegaram à residência durante a tarde, quando parentes estavam reunidos para uma comemoração de aniversário.

A família afirma que os agentes entraram no imóvel sem apresentar mandado de prisão ou de busca e apreensão. Durante a ação, os policiais teriam questionado o jovem sobre um homem apontado como integrante de uma organização criminosa.

Os parentes alegam que o rapaz não conhece o suspeito procurado pelos agentes.

De acordo com os boletins registrados, o jovem teria sido submetido a sufocamento com um saco plástico, recebido marteladas no joelho e golpes com um cabo de vassoura, além de ter sido ferido na mão com uma faca.

Polícia Militar abrirá investigação preliminar

Em nota, a Polícia Militar do Ceará informou que instaurará uma investigação preliminar para apurar os fatos relatados pela família.

A corporação afirmou que o procedimento interno ocorrerá sem prejuízo da investigação paralela e independente realizada pela CGD.

“A Corporação reafirma seu compromisso com a legalidade e ressalta que não compactua com condutas ilícitas praticadas por seus integrantes”, declarou a Polícia Militar.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a identificação ou o eventual afastamento dos policiais suspeitos de participar da abordagem.

CGD apura ocorrência administrativamente

A Controladoria-Geral de Disciplina informou que investiga a ocorrência no âmbito administrativo. O órgão é responsável por apurar possíveis desvios de conduta praticados por integrantes das forças de segurança pública e do sistema penitenciário estadual.

A investigação deverá analisar os boletins de ocorrência, os registros de lesões, os relatos das testemunhas e as circunstâncias da atuação policial.

A denúncia também poderá ser investigada na esfera criminal pela Polícia Civil. Eventuais responsabilidades civis, criminais e administrativas dependerão do resultado das apurações.

Família relata abordagem anterior

Os familiares afirmaram que essa não teria sido a primeira abordagem violenta sofrida pelo jovem. Segundo o relato, em junho de 2026 policiais militares teriam entrado na residência sem autorização, feito perguntas sobre suspeitos e materiais ilícitos e danificado o celular da vítima ao jogar o aparelho na água.

A ocorrência não teria sido denunciada naquela ocasião porque, conforme a família, os policiais teriam feito ameaças.

Em um dos boletins, uma parente declarou que os agentes teriam ameaçado matar o jovem e simular um suicídio ou uma troca de tiros caso as agressões fossem comunicadas às autoridades. As acusações também deverão ser verificadas durante as investigações.

A família relatou ainda que, no dia 15 de outubro, policiais teriam entrado na casa de uma irmã da vítima à procura de outro suspeito. Segundo os parentes, a mulher manteve apenas um relacionamento breve com o homem e não estaria mais com ele.

Defesa pede proteção e apuração rigorosa

A advogada que representa a família informou que está adotando as medidas legais necessárias para garantir uma investigação rigorosa e imparcial.

A defesa pretende buscar a responsabilização criminal, civil e administrativa dos eventuais envolvidos, além de medidas destinadas à preservação da integridade física e psicológica do jovem.

“Ressalta-se que a vítima teme concretamente por sua própria vida e por sua segurança, diante da gravidade dos acontecimentos relatados e do receio de possíveis represálias”, afirmou a advogada.

A defesa acrescentou que as atribuições dos agentes de segurança não autorizam práticas de tortura, violência arbitrária ou abuso de autoridade. O caso continua sendo apurado pela Polícia Militar e pela Controladoria-Geral de Disciplina.

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Com informações do G1