Chefe do Comando Vermelho com atuação no Ceará morre em confronto com a polícia em SP

Publicada em • Zeudir Queiroz

Um dos principais chefes do Comando Vermelho (CV) com atuação no Ceará morreu na manhã desta quarta-feira (11) durante confronto com a polícia, em Atibaia, no interior de São Paulo.

Breno Araújo Xavier, conhecido como “Blindado”, era considerado um dos criminosos mais procurados do Ceará e estava foragido da Justiça estadual. Segundo as forças de segurança, ele foi localizado em uma mansão após trabalho de monitoramento realizado por equipes de inteligência do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A operação contou com policiais da 10ª Delegacia do DHPP, do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Desarme), da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), além de apoio do DHPP de São Paulo.

De acordo com a polícia, o imóvel foi cercado nas primeiras horas da manhã. Durante a abordagem, houve troca de tiros. Breno foi baleado após, conforme relato dos investigadores, tentar lançar uma granada contra os agentes. Ele não resistiu aos ferimentos.

Investigado por homicídios de grande repercussão

Blindado era apontado como mandante de pelo menos dois homicídios de grande repercussão no Ceará. Um dos casos foi o assassinato do advogado criminalista Silvio Vieira da Silva, de 54 anos, morto a tiros em maio do ano passado, no bairro Genibaú, em Fortaleza.

Segundo as investigações, o advogado foi atraído ao local sob o pretexto de receber R$ 4 mil referentes a honorários advocatícios. Ao chegar ao ponto combinado, foi surpreendido por criminosos armados e atingido por disparos dentro do próprio veículo. A Polícia Civil sustenta que o crime foi ordenado por Breno como forma de vingança.

A motivação, conforme a apuração, estaria ligada à atuação de Silvio em um processo que resultou no indiciamento de Breno por homicídio. O caso teve origem na morte do personal trainer Felipe do Vale Lucena, assassinado a tiros em 2022, na saída de uma festa na Praia do Futuro.

Durante as investigações sobre a morte do personal, uma testemunha alterou o depoimento e passou a apontar Breno como mandante do crime. A partir desse avanço, segundo a polícia, o líder da facção teria articulado a execução do advogado.

Denúncias do Ministério Público e envolvimento de advogado

O Ministério Público do Estado do Ceará denunciou quatro pessoas pelo homicídio de Silvio Vieira. Entre os denunciados está o advogado Lucas Arruda Rolim, que trabalhava com a vítima.

Conforme a investigação, ele teria atuado como intermediário no plano arquitetado por Breno. A polícia identificou que dois homens presos por tentativa de assalto passaram a ser representados por Lucas Rolim sem que eles ou familiares soubessem quem havia pago pelos serviços. Posteriormente, foi apurado que o pagamento teria sido feito por Breno Xavier.

Em seguida, um dos suspeitos procurou Silvio Vieira para assumir a defesa e negociar a retirada de tornozeleira eletrônica. O encontro para pagamento foi marcado no Genibaú, área apontada como reduto do grupo criminoso. No local, o advogado acabou executado.

Fraude em cadastro judicial e mandados em aberto

Breno também respondia pelo homicídio do personal trainer Felipe Lucena. O processo chegou a sofrer um episódio de fraude no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), quando dados do acusado foram substituídos pelos de um idoso falecido, o que resultou na emissão de um contramandado considerado fraudulento.

A irregularidade foi identificada pelo Judiciário, que expediu novos mandados de prisão preventiva contra o suspeito. À época da morte, Breno tinha ao menos dois mandados em aberto, incluindo um relacionado a condenação por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas.

Investigações continuam

Com a morte de Breno Araújo Xavier, as polícias civis do Ceará e de São Paulo seguem apurando as circunstâncias do confronto em Atibaia e a eventual participação de outros integrantes da facção criminosa.

A ofensiva representa um desdobramento relevante nas investigações que vinham sendo conduzidas contra a cúpula do Comando Vermelho no Ceará. As autoridades avaliam que a morte do líder pode impactar a dinâmica interna do grupo no estado, mas ressaltam que as operações e apurações contra a organização criminosa terão continuidade.

Zeudir Queiroz