O Campeonato Brasileiro teve sua “39ª rodada” nesta segunda-feira, e não dentro dos gramados. Nos tribunais, o STJD julgou e puniu a Portuguesa pela escalação do meia Héverton na última rodada do Campeonato Brasileiro, em empate por 0 a 0 contra o Grêmio. Condenada, a agremiação rubro-verde perdeu quatro pontos e acabou rebaixada à Série B de 2014, salvando pela terceira vez na história o Fluminense de jogar a segunda divisão nacional. Entretanto, a equipe de São Paulo deve entrar com recurso no Pleno, que será julgado dia 27 de dezembro.
Reserva do time lusitano, Héverton não poderia ter atuado diante do Grêmio, mas a Portuguesa defendeu que não foi avisada a tempo pelo advogado Osvaldo Sestário, que representou o clube no julgamento. A punição ao clube previa perda de quatro pontos na tabela, em resultado obtido nos tribunais que levou a equipe paulista à zona da degola com 44 pontos, dois a menos que o Fluminense, clube beneficiado com permanência na Série A após a decisão do STJD.
Héverton foi expulso na derrota fora de casa diante do Bahia por 1 a 0, pela 36ª rodada. Suspenso automaticamente na partida seguinte (vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta em Campinas), o meio-campista saiu do banco para jogar 13 minutos no empate sem gols diante do Grêmio em São Paulo, em duelo pela 38ª e última rodada da Série A.
O confronto praticamente não tinha valor na classificação, já que os gaúchos estavam praticamente assegurados na vice-liderança, enquanto os lusitanos tinham chances quase nulas de rebaixamento. O meio-campista do clube rubro-verde, porém, foi julgado no dia 6 de dezembro, sexta-feira, dois dias antes da partida no Estádio do Canindé, e pegou dois jogos de suspensão pela expulsão em Salvador.
Essa foi a terceira vez que o Flu acabou sendo “presenteado” com permanência na Série A do futebol brasileiro ao longo da história. O time carioca havia se beneficiado de “viradas de mesa” em 1997, quando caiu em campo no ano anterior e ficou na elite após entrevero jurídico envolvendo outros clubes, e em 2000, quando subiu da terceira para a segunda divisão em 1999, mas se aproveitou de imbróglio com o Gama nos tribunais para “saltar” diretamente à primeira e disputar a Copa João Havelange.
Portuguesa começou com defesa de diretor jurídico
O julgamento começou tenso devido à presença em peso de imprensa e torcida à porta do STJ, com direito a gritos de arquibancada, multidão, protestos e confusão. E, dentro dos tribunais, foi a Portuguesa quem começou com direito a se defender por meio de seu dirigente Valdir Rocha da Silva, um dos pivôs da polêmica – foi ele quem supostamente recebeu a informação da suspensão de Héverton pelo advogado Osvaldo Sestário.
“Não sei se foi um equívoco de informação ou a confiança no site da CBF. Ele é atualizado diariamente, e os clubes o acessam diariamente para ver se seus atletas têm condições. E na sexta-feira dia 6, o atleta Héverton tinha condições, pois já havia cumprido suspensão automática”, disse Valdir Rocha da Silva, diretor jurídico da Portuguesa. “Eles consultaram no dia 6,7,8 e 9. No dia 10 é que constava que o nosso atleta tinha cumprido pena com a Ponte Preta e que não tinha nenhuma restrição para jogar futebol”, acrescentou o presidente do time rubro-verde, Manoel Da Lupa.
O mandatário, inclusive, chegou a indagar ao advogado Osvaldo Sestário sobre sua responsabilidade com o ocorrido. “A responsabilidade você vai assumir (perguntando a Sestário, que teria dito que assumiria a responsabilidade pelo resultado)? Achei muito estranho isso. Como fica a Portuguesa?”, perguntou Da Lupa. Enquanto acontecia o julgamento, uma multidão se aglomerava na porta do STJD com protestos e gritos de ordem. Torcedores do Fluminense, da Portuguesa e de outros clubes marcavam presença.
Procuradoria queria punição, e advogado relembrou outros casos
Por outro lado, a Procuradoria do STJD defendeu que a lei deve ser cumprida e brigou pela punição da Portuguesa. A mesma expôs que o time rubro-verde devia ser punido com quatro pontos, adicionou que os demais clubes não cometeram erros quanto à escalação de atletas irregulares durante todo o Brasileiro e que 99% dos casos de infração ao artigo 214 do CBJD resultam em punição.
Torcedores rubro-verdes choram decisão do STJD de rebaixar Portuguesa. (Foto: Daniel Ramalho / Terra)
Últimos posts por Zeudir Queiroz (exibir todos)
- Justiça revoga liberdade condicional do goleiro Bruno após viagem sem autorização - 7 de março de 2026
- Chagas Vieira chama Ciro para o debate e critica “papo furado” nas redes sociais - 6 de março de 2026
- Homem é morto a tiros e criança de 4 anos fica ferida em ataque no bairro Icaraí, em Caucaia - 6 de março de 2026


