Passe livre nacional em estudo: o que muda no transporte público

Publicada em • Zeudir Queiroz

Governo federal analisa tarifa zero no país

Governo federal analisa tarifa zero no país – (Foto Reprodução da web

O Governo Federal estuda criar um programa de passe livre no transporte público urbano em todo o Brasil. A proposta, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está sendo examinada pelo Ministério da Fazenda, que faz um raio-X dos custos e da operação do setor.
Segundo o ministro Fernando Haddad, a equipe avalia: quanto custa o sistema, quanto o poder público já subsidia, qual é a participação das empresas via Vale-Transporte e quanto sai do bolso do trabalhador. O objetivo é mapear caminhos para melhorar o modelo.

Ceará vira vitrine: Caucaia, Aquiraz e Eusébio

No Ceará, três cidades já adotam tarifa zero: Caucaia, Aquiraz e Eusébio.
Caucaia, referência desde 2021, registrou impacto imediato: as viagens diárias saltaram de 18 mil para 90 mil no primeiro mês; o total de passageiros passou de 510 mil para 2,3 milhões em menos de dois anos.

Vozes de quem usa

  • Marise Lopes de Jesus, vendedora ambulante: a gratuidade aliviou o orçamento: “Todo dia pagar transporte… ia ficar difícil. Então, agradecer a quem colocou esse ônibus.”

  • Deybson Gomes, estudante: a economia mensal faz diferença: “Dá para economizar uns R$ 150 a R$ 200 e usar em outras necessidades.”

  • Vitória Vaz, professora: que se desloca de Fortaleza para Caucaia: “Ter a opção gratuita dentro de Caucaia já representa uma grande economia diária.”

  • Ivanilda Gomes, merendeira: mais mobilidade e oportunidades: “Comecei curso de radiologia, fui à praia, ao shopping… Com ônibus de graça, tudo melhorou.”

Efeitos sociais e econômicos

Especialistas apontam que a tarifa zero aumenta deslocamentos, o que tende a aquecer o comércio e o consumo locais.
Para José Ademar Gondim, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da UFC, mais viagens significam mais atividade econômica, o que pode compensar parte do custo do benefício ao sistema.

O nó do financiamento

Apesar dos ganhos, o financiamento em escala nacional preocupa.
O universitário Andrew Bandini resume a dúvida: quem paga a conta em um país onde a tarifa já é alta em muitos lugares?
Gondim reforça que não existe gratuidade sem custeio: é preciso garantir uma remuneração que cubra os custos operacionais. A definição cabe aos órgãos gestores — em Fortaleza, a Etufor; no interior, as prefeituras; e, no transporte intermunicipal, o Governo do Estado. Estudos detalhados devem considerar também benefícios indiretos, como redução de acidentes ao priorizar um transporte público pontual, de qualidade e com frota renovada.

Fortaleza: subsídios e desafios

Na capital, há subsídios para meia passagem e gratuidade a públicos específicos. Mesmo assim, o setor enfrenta dificuldades: fechamento de empresas e suspensão temporária de linhas (posteriormente revertida pela Prefeitura).

Percepção geral

Mesmo quem não depende diariamente do ônibus vê justiça social na proposta. A universitária Eduarda Prudente avalia que zerar a tarifa é válido, especialmente para quem precisa de mais de um ônibus por dia para trabalhar e estudar.

Em síntese

  • Em estudo nacional: Fazenda mapeia custos e fontes de financiamento.

  • Resultados locais: cidades do Ceará mostram aumento de viagens e dinamismo econômico.

  • Desafio central: garantir sustentabilidade financeira sem perder qualidade de serviço.

  • Clima social: apoio expressivo entre usuários e não usuários frequentes.

Zeudir Queiroz