
Quem se lembra dos orelhões, aqueles telefones de uso público espalhados pelas ruas das cidades brasileiras? Durante décadas, eles foram essenciais no dia a dia da população. No entanto, esses aparelhos devem desaparecer definitivamente até o fim de 2028.
A rede, que já contou com mais de 1,5 milhão de orelhões mantidos pelas concessionárias de telefonia fixa, hoje possui cerca de 30 mil unidades em funcionamento em todo o país.
Apenas nove mil continuarão ativos em áreas sem 4G
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), aproximadamente nove mil orelhões continuarão operando em cidades onde ainda não há cobertura mínima de sinal 4G para a telefonia móvel. A maior parte desses equipamentos está localizada no estado de São Paulo.
Avanço da tecnologia reduziu o uso dos aparelhos
Segundo Marcos Paulo, gerente de Controle de Obrigações de Universalização da Anatel, o avanço da telefonia móvel e da internet foi determinante para a queda no uso dos orelhões.
Ele explica que os telefones de uso público fizeram parte, por muitos anos, da política de universalização da telefonia fixa no Brasil. No entanto, com a popularização dos celulares e da internet, o uso da telefonia fixa pela população diminuiu de forma significativa. Esse cenário, aliado à proximidade do fim dos contratos de concessão, abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o modelo do serviço, com foco em estimular investimentos em redes de suporte à banda larga.
Chamadas gratuitas seguem garantidas até 2028
Apesar da redução no número de aparelhos, a população ainda pode utilizar gratuitamente os orelhões que permanecem ativos até 31 de dezembro de 2028. Marcos Paulo destaca que as empresas assumiram o compromisso de manter esses equipamentos nas localidades onde não há outro serviço substituto oferecido por outras prestadoras.
As chamadas realizadas nesses orelhões são gratuitas, tanto para ligações locais quanto para chamadas de longa distância nacional, destinadas a telefones fixos ou celulares.
Um ícone urbano criado em 1972
Os orelhões foram lançados no Brasil em 1972 e se tornaram um símbolo das cidades. O design característico do equipamento foi criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil.
População defende a permanência dos orelhões
Para a pedagoga Emília Holanda, de 64 anos, os aparelhos ainda são essenciais e não deveriam ser extintos. Ela ressalta que, em situações em que o celular não tem sinal, está sem bateria ou quando não há acesso à internet, o orelhão continua sendo uma alternativa importante, especialmente em regiões mais afastadas.
Contratos encerrados e retirada dos aparelhos
Os contratos que previam a manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e encerrados no fim de dezembro de 2025. A retirada dos aparelhos que não são mais obrigatórios pode ser solicitada diretamente às operadoras. Caso não haja retorno, o pedido pode ser feito por meio da central de atendimento da Anatel, pelo número 1331, ou pelo portal oficial da agência.
Com informações da Agência Brasil e supervisão de Bianca Paiva.
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