
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi retirado, nesta sexta-feira (12/12), da lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação da Lei Global Magnitsky. A decisão põe fim a um período de quase cinco meses em que o magistrado esteve submetido a severas restrições impostas pelo governo norte-americano.
Durante a vigência das sanções, Moraes estava impedido de circular ou manter qualquer tipo de patrimônio em território dos Estados Unidos, além de ter bloqueadas transações financeiras em dólar e vínculos comerciais com empresas ou instituições sediadas no país. As medidas representaram um dos episódios mais delicados da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos nas últimas décadas.
EXTENSÃO DAS REVOGAÇÕES
A revogação das sanções não se limitou ao ministro. Também foram retirados da lista do Ofac a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos Ltda., entidade vinculada à família do magistrado. Ambos estavam submetidos a punições equivalentes desde o dia 30 de julho, quando o pacote de sanções foi oficialmente anunciado.
As restrições incluíam congelamento de ativos, proibição de operações financeiras internacionais e impedimentos para firmar contratos ou parcerias com entidades norte-americanas, ampliando o impacto político e pessoal da medida.
ORIGEM DAS SANÇÕES
As sanções haviam sido decretadas durante o governo do então presidente Donald Trump. À época, a Casa Branca justificou a inclusão de Alexandre de Moraes na lista da Lei Global Magnitsky sob a alegação de violações de direitos humanos, atribuídas à atuação do ministro como relator do processo que investigou a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Esse processo culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. O governo norte-americano também citou, como fundamento das punições, decisões judiciais de Moraes que determinaram a remoção de conteúdos publicados por usuários norte-americanos em plataformas digitais sediadas nos Estados Unidos, o que foi interpretado como extrapolação de jurisdição.
IMPACTO DIPLOMÁTICO
A inclusão de um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro na lista da Lei Global Magnitsky provocou a maior crise diplomática entre Brasília e Washington em mais de dois séculos de relações bilaterais. O episódio gerou reações contundentes do governo brasileiro, de integrantes do Judiciário e de setores da sociedade civil, que classificaram a medida como uma afronta à soberania nacional.
Nos últimos dias, entretanto, o tema voltou ao centro das discussões na Casa Branca. A reaproximação entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu espaço para negociações diplomáticas, com o objetivo de reduzir tensões e restabelecer canais de diálogo entre os dois países.
ACORDO E DESFECHO
Segundo interlocutores do governo norte-americano, a decisão de revogar as sanções foi resultado de uma orientação direta de Donald Trump para que sua equipe buscasse um “acordo” com o Brasil. A medida é vista como um gesto político para normalizar as relações bilaterais e encerrar um impasse que vinha se arrastando desde meados do ano.
Com a retirada do nome de Alexandre de Moraes da lista do Ofac, o episódio entra em sua fase final, ainda que seus efeitos políticos e institucionais devam continuar sendo debatidos tanto no Brasil quanto no cenário internacional.
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