Governo muda regras da poupança para ampliar crédito imobiliário da classe média

Publicada em • Zeudir Queiroz
Cerimônia de lançamento de novo modelo de crédito imobiliário – (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta sexta-feira, 10 de outubro, um pacote de mudanças nas regras da poupança para ampliar o crédito imobiliário voltado à classe média. A iniciativa busca facilitar o acesso a financiamentos com juros menores para imóveis de até R$ 2,5 milhões.

Público-alvo

Segundo Lula, o foco são famílias com renda a partir de R$ 12 mil que desejam uma moradia maior e melhor localizada, próxima do trabalho e da rede de convivência.

“Esse programa foi feito pensando em dar àqueles que ainda não têm o direito de ter a sua casinha um pouco melhor […] Ele não quer morar nos ‘cafundós do Judas’”, disse o presidente.

Quem participou do anúncio

O evento ocorreu em um centro de convenções em São Paulo, com presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Jader Filho (Cidades) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral), além dos presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.

Principais mudanças

  • Teto do SFH ampliado: o valor máximo do imóvel financiável pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,5 milhões.

  • Mais crédito via poupança: os recursos da poupança serão liberados gradualmente, aumentando o volume disponível para financiamentos.

  • Juros estimados: segundo o ministro Jader Filho, o novo modelo pode gerar na Caixa cerca de 80 mil novos financiamentos, com taxas de até 12% ao ano.

Como é hoje x Como ficará

Hoje

  • 65% dos recursos da poupança: destinação obrigatória ao crédito imobiliário.

  • 20%: depósitos compulsórios no Banco Central.

  • 15%: aplicação livre dos bancos.

Transição (a partir de 2024/2025)

  • Redução dos compulsórios: de 20% para 15%, depois para 5%, até serem extintos.

  • Extinção gradual também da obrigatoriedade dos 65% para crédito imobiliário.

Modelo final (previsto para 2027)

  • A poupança passa a funcionar com vinculação direta ao crédito: quanto mais depósitos, mais financiamento imobiliário disponível.

  • Objetivo de maximizar a poupança como fonte de funding do setor.

Impactos esperados

  • Classe média: acesso facilitado a imóveis maiores e melhor localizados.

  • Setor da construção: estímulo à atividade com mais oferta de crédito.

  • Sistema financeiro: maior flexibilidade alocativa dos recursos da poupança ao longo da transição.

O que acompanhar

  • Regulamentação detalhada das etapas de transição.

  • Condições efetivas de juros praticadas por cada banco.

  • Calendário de redução dos compulsórios e da obrigatoriedade dos 65%.

  • Oferta regional de crédito e eventuais critérios de elegibilidade.

Zeudir Queiroz