
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quarta-feira (25/6) que a onda de desinformação sobre uma suposta taxação do Pix, no início do ano, acabou beneficiando o crime organizado. A declaração foi feita durante um evento promovido pelo Instituto Esfera no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília.
Atenção às movimentações financeiras
Barreirinhas destacou que a Receita Federal já acompanha com atenção a movimentação financeira dos brasileiros há décadas, por meio de informações fornecidas pelas instituições financeiras. “A Receita Federal está atenta a isso há muito tempo. No ano passado, nós debatemos muito com as instituições financeiras que há mais de 20 anos prestam informações sobre movimentação financeira, sobre saldos em suas contas, tanto que isso alimenta a declaração pré-preenchida do Imposto de Renda”, afirmou o secretário.
Crise de comunicação e queda de popularidade
A polêmica em torno da falsa taxação do Pix ocorreu durante a transição entre os titulares da Secretaria de Comunicação Social do governo — quando Sidônio Palmeira substituiu Paulo Pimenta — e coincidiu com uma queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ação contra fintechs ligadas ao crime
Durante o evento, Barreirinhas também chamou atenção para o uso de fintechs fraudulentas por organizações criminosas para a lavagem de dinheiro. Ele citou uma recente operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, que desmantelou uma fintech responsável por movimentar mais de R$ 6 bilhões para grupos criminosos.
Segundo o secretário, esse tipo de ação tem sido possível graças às informações obtidas pela Receita Federal sobre transações suspeitas. “Teve até aquele caso do operador do PCC que foi assassinado de maneira sangrenta no aeroporto de Guarulhos. No cerne daquilo havia uma fintech fazendo a lavagem de dinheiro do crime organizado”, ressaltou.
Importância e riscos das fintechs
Barreirinhas ponderou que, embora as fintechs desempenhem um papel relevante na inclusão financeira da população, elas também têm sido exploradas por criminosos. “Isso é um problema muito grave. Nós não podemos, evidentemente, generalizar. As fintechs prestam um serviço importantíssimo para a inclusão financeira da população brasileira, mas também seria ingenuidade nossa tapar o sol com a peneira. É um instrumento que está sendo muito utilizado (pelo crime)”, concluiu.
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