Em menos de dez dias, chega ao Brasil uma Copa do Mundo diferente. Ao invés de grandes craques de cada país, jovens anônimos e, muitas vezes, invisíveis. Nesse campeonato, a taça de campeão compartilha as atenções com uma declaração de direitos. É a Copa da Rua que reunirá, no Rio de Janeiro, adolescentes em situação de rua, de 14 a 17 anos, provenientes de 19 países.
“Nós acreditamos que essas crianças não devem ser marginalizadas e ignoradas, mas devem ser apoiadas e reabilitadas. É assim que a Copa da Rua surgiu”, apresenta o diretor da organização inglesa Street Child World Cup no Brasil, Joe Hewitt. “É inaceitável que no século XXI milhões de crianças sigam vivendo e trabalhando nas ruas”, acrescenta.
Em sua segunda edição, o campeonato busca dar visibilidade à situação das crianças em situação de rua. “Por meio da Copa da Rua queremos desafiar a percepção negativa e o tratamento que é dado a essas crianças”, explica Hewitt. Para ocorrer, a Copa conta com parcerias com organizações nos diferentes países que atendem crianças em situação de rua. “Os projetos dos nossos parceiros provam que por meio da proteção, reabilitação e oportunidades cada criança tem uma vida na sociedade e não nas sombras”, defende.
| Programe-se! |
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| O encerramento e o jogo da final da Copa da Rua é dia 6 de abril, na sede do Fluminense. Para participar, basta entrar em contato com a organização e solicitar os ingressos. |
mais tempo nas ruas. Em 2009, entretanto, ele começou a participar das atividades de O Pequeno Nazareno.
Com a perspectiva de participar da Copa da Rua, Rodrigo ganhou um horizonte. “Ele aceitou o desafio, deixou as drogas e não perdia nenhum treino”, relata o fundador da entidade, Bernardo Rosemeyer, em um comunicado. A justificativa para o assassinato seria um crime praticado por Rodrigo há anos no território dominado por traficantes. “O passado retornou para assombrar Rodrigo, antes que a semente da nova vida pudesse crescer e trazer frutos para uma vida de dignidade.”
Para o coordenador de Projetos Sociais de O Pequeno Nazareno, Adriano Ribeiro, esse é um problema invisível para a maioria da população brasileira. “Uma criança que vive na rua, sem a proteção de um adulto, está exposta a muitos perigos, à fome, ao desrespeito, a muitas ameaças à sua vida”, relata.
Segundo pesquisa de 2011 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), o Brasil tem cerca de 24 mil crianças e adolescentes em situação de rua. Realizado em 75 cidades, o levantamento revelou o perfil dessa população. Cerca de 70% são do sexo masculino, 45% estão na faixa etária dos 12 e 15 anos e 72% se declararam pardo, moreno ou negro.
A situação de privação de direitos é disseminada. Uma em cada dez crianças não se alimenta diariamente e mais de 65% exercem alguma atividade remunerada. Mais da metade das crianças já passou por alguma situação de violação de direitos, como ser barrada ao entrar num estabelecimento ou ser impedida de receber atendimento na rede de saúde. Das crianças que dormem nas ruas, 70% dizem que saíram de casa por conta da violência.
“Por meio da campanha Criança Não é de Rua, temos visitado o país inteiro e constatado que os desafios são os mesmos, porém muito complexos. Problemas complexos exigem soluções diversificadas, sérias e inovadoras”, explica Ribeiro. “Os direitos das crianças precisam sair do papel e serem assegurados pelo Estado em seus vários níveis de gestão.”
Participação
Para mudar o panorama das crianças em situação de rua ao redor do mundo, Joe Hewitt acredita ser fundamental uma mudança de postura e a participação de todos. “As crianças são estigmatizadas e desumanizadas nos olhos da sociedade e queremos que isso mude. Trabalhamos com empresários, mídia, governo e sociedade para conseguir isso”, almeja Hewitt.
Ribeiro afirma que a sociedade “não deve aceitar como normal o fato de crianças de sete, oito anos de idade serem levadas a abandonar suas famílias e viverem largadas nas ruas, dormindo sobre pedaços de papelão”. Para o coordenador, as crianças são responsabilidade de toda a sociedade. “Virar o rosto para esse problema é dar um soco na cidadania, além de ser desumano”, finaliza.
Fonte: http://www.promenino.org.br/
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