Direitos em pauta: Pequeno Nazareno participa de evento nacional sobre infância em situação de rua

Publicada em • Zeudir Queiroz
Foto: Reprodução

Brasília recebe, a partir desta quarta-feira (23), o I Seminário Nacional dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua. O evento reúne uma delegação formada por jovens e educadores da Associação O Pequeno Nazareno (OPN), que atuam nos estados do Ceará, Maranhão, Pernambuco e Amazonas. Com mais de 30 anos de história, a organização é referência na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e integra a Rede Nacional Criança Não É de Rua (CNER).

Um espaço para dar voz às infâncias invisíveis

Sob o tema “Infâncias Invisíveis: Políticas Públicas e Enfrentamento às Violências Contra Crianças e Adolescentes em Situação de Rua”, o seminário é promovido pelo CIAMP-Rua Nacional (Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua), por meio de sua Comissão Permanente de Criança e Adolescente.

A programação envolve mesas de debate, atividades formativas e momentos de escuta ativa com adolescentes, movimentos sociais, especialistas, gestores públicos e organizações da sociedade civil. O objetivo é construir diretrizes para políticas públicas mais eficazes e protetivas para essa população historicamente invisibilizada.

Protagonismo juvenil como estratégia de transformação

Segundo Manoel Torquato, coordenador de projetos da OPN, a presença dos jovens no seminário é essencial. “Levar adolescentes com vivências reais da situação de rua para um espaço nacional de diálogo é uma forma concreta de fortalecer o protagonismo juvenil e assegurar que as políticas públicas nasçam a partir da escuta de quem vive a realidade na pele. É isso que transforma discursos em ações efetivas”, afirma.

Memória, justiça e compromisso coletivo

A abertura do seminário foi marcada por um Ato Público em homenagem às vítimas da Chacina da Candelária, que completa 32 anos. O massacre, ocorrido em 1993 no Rio de Janeiro, vitimou oito adolescentes em situação de rua e se tornou símbolo da luta contra a violência e o abandono. A data é lembrada nacionalmente como o Dia Nacional de Enfrentamento à Situação de Rua de Crianças e Adolescentes, e o ato reforça o compromisso com a justiça social e a proteção integral.

Um pacto nacional pela vida e dignidade

Para a Associação O Pequeno Nazareno, o seminário representa mais que um espaço de debate: é um marco na reafirmação de sua missão institucional. “O que vemos é um Brasil que ainda negligencia suas infâncias mais vulneráveis. Esse seminário é um passo importante para construirmos um pacto nacional pela vida dessas crianças e adolescentes, com base na dignidade e nos direitos humanos”, completa Torquato.

Rede nacional criança não é de Rua: articulação pela mudança

Criada em 2005, a Rede Nacional Criança Não É de Rua é formada por organizações da sociedade civil de todo o país. Mobilizada em torno da defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situação de rua, a rede atua pela formulação de políticas públicas específicas, pela valorização da educação social de rua e pela promoção do direito à convivência familiar e comunitária.

Com uma coordenação colegiada nacional, eleita democraticamente, a rede é aberta à participação de coletivos, fóruns e movimentos que atuam em frentes como habitação, desigualdade racial, gênero e outras violações que afetam essa população.

O Pequeno Nazareno: três décadas de compromisso social

Fundada em 1993 pelo missionário Bernardo Rosemeyer, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno tem atuação reconhecida nacionalmente. Sem fins lucrativos, a instituição promove o atendimento integral a crianças e adolescentes em situação de rua, suas famílias e comunidades em contextos de deslocamento forçado, principalmente nos estados do Norte e Nordeste do Brasil.

Com foco na promoção da dignidade, justiça e inclusão social, a OPN combate o preconceito, influencia políticas públicas e trabalha para transformar realidades marcadas pela exclusão.

Zeudir Queiroz