Deputada Luizianne Lins recebe assistência consular após dois dias detida em Israel

Publicada em • Zeudir Queiroz

Primeiros contatos após demora diplomática

Reprodução do facebook

Depois de quase dois dias sem comunicação, a deputada federal Luizianne Lins (PT/CE) e outros 12 brasileiros detidos por Israel receberam assistência consular da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. A visita só ocorreu após mais de oito horas de intensos trâmites envolvendo a detenção dos cidadãos brasileiros, que integravam uma missão humanitária internacional com destino à Faixa de Gaza.

Apoio jurídico e acompanhamento internacional

Além do suporte consular, a deputada contou com apoio jurídico do Centro Adalah, organização que atua na defesa dos direitos das minorias árabes em Israel. A visita dos diplomatas foi realizada em dois momentos distintos: um encontro exclusivo com as mulheres, incluindo a parlamentar, e outro com os homens do grupo. Representantes de outros países também acompanharam os procedimentos.

Relatos de violações e greve de fome

Apesar de estarem em condições de saúde estáveis, depoimentos colhidos por autoridades brasileiras e entidades de direitos humanos apontam que, no primeiro dia de detenção, o grupo não recebeu água ou comida. Como forma de protesto contra a ofensiva israelense em Gaza, alguns dos detidos iniciaram uma greve de fome.

Objetivo da missão humanitária

A missão internacional tinha como propósito levar suprimentos médicos e alimentos à população palestina, gravemente afetada pela escalada de violência na Faixa de Gaza. Luizianne Lins participava em caráter oficial, designada pela Câmara dos Deputados como observadora internacional.

As embarcações foram interceptadas pela Marinha israelense entre 1º e 2 de outubro, em águas internacionais do Mediterrâneo.

Abordagem militar e transferência

Segundo relatos dos ativistas, a abordagem foi agressiva, com uso de armamento pesado, inclusive contra o veleiro Grande Blu, onde estava a deputada. Os detidos reforçam que não houve resistência por parte dos cerca de 500 ativistas humanitários de mais de 40 países, confirmando o caráter pacífico da missão.

A transferência até o centro de detenção israelense durou toda a madrugada entre os dias 1º e 2 de outubro.

Reações no Brasil e críticas internacionais

Familiares e entidades civis brasileiras criticaram a falta de transparência do governo israelense e a demora no acesso consular, considerada por juristas uma violação do direito internacional.

Em nota, o Itamaraty afirmou que segue acompanhando de perto o caso, prestando apoio aos brasileiros e mantendo contato com organismos internacionais, incluindo a ONU, para garantir segurança e liberação dos detidos.

No Congresso Nacional, parlamentares do PT e de outros partidos protocolaram pedidos de esclarecimento junto ao Ministério das Relações Exteriores.

Contexto do conflito

O episódio ocorre em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio, com a intensificação dos ataques israelenses contra Gaza, que já resultaram em centenas de mortes, inclusive de civis.

A missão da qual Luizianne participava tinha também como objetivo chamar a atenção da comunidade internacional para a crise humanitária palestina.

Novas atualizações sobre o caso devem ser divulgadas nas próximas horas.

Zeudir Queiroz