
As vítimas identificadas são João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb, e Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios. A terceira vítima é uma professora de 75 anos, cuja identidade não foi divulgada.
Servidor dos Correios morreu após internação em UTI
Marcos Moreira morava em Brazlândia e era lotado nos Correios da região. Ele faleceu em 2 de dezembro, após ser internado na UTI do Hospital Anchieta.
Família de servidor da Caesb acreditava em morte natural
João Clemente Pereira trabalhava na Caesb. Em nota, a família informou que acreditava que a morte do idoso havia ocorrido por causas naturais, em razão do quadro clínico apresentado. Os parentes afirmaram que só tomaram conhecimento da suspeita de crime em 16 de janeiro.
Segundo o comunicado, a família confia na atuação da Polícia Civil do Distrito Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, e informou que adotará todas as medidas legais cabíveis para responsabilização criminal dos envolvidos e eventual responsabilização civil do hospital.
Investigação aponta intencionalidade e uso de medicamentos indevidos
De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), os elementos reunidos são considerados robustos e indicam intencionalidade criminosa.
Segundo a investigação, um técnico de enfermagem teria se passado por médico, acessado um sistema aberto e feito prescrições irregulares. Ele teria preparado as substâncias na farmácia do hospital, escondido o material no jaleco e aplicado diretamente na veia dos pacientes, procedimento que não deveria ser realizado daquela forma e que pode provocar parada cardíaca.
Técnicas teriam aguardado reação das vítimas
A polícia apurou que o suspeito agia com o apoio de duas técnicas de enfermagem, que aguardavam a reação dos pacientes após a aplicação. Após as paradas cardíacas, o técnico ainda tentava reanimar as vítimas, o que levanta a hipótese de dissimulação diante da equipe médica.
As imagens de câmeras de segurança mostram que, enquanto o técnico aplicava as substâncias, as duas profissionais observavam a porta do quarto para evitar a entrada de outras pessoas. Uma delas era amiga próxima do suspeito, e a outra era recém-contratada e treinada por ele.
Uso de desinfetante ocorreu após perda de acesso a medicamentos
A investigação também aponta que, quando o técnico perdeu acesso aos medicamentos, passou a utilizar desinfetante hospitalar. Em um dos casos, ele teria aplicado o produto mais de dez vezes na veia de uma paciente de 75 anos, que morreu em 17 de novembro.
Na mesma data, faleceu o servidor da Caesb, de 63 anos. Já em 1º de dezembro, morreu o servidor dos Correios, de 33 anos.
Câmeras foram decisivas para descoberta dos crimes
A presença de câmeras nos leitos foi fundamental para a identificação dos crimes, já que as famílias não desconfiavam de homicídio. Após detectar irregularidades por meio da Comissão de Óbitos, o hospital comunicou o caso à polícia.
A polícia informou que ainda não há conclusão definitiva sobre a motivação dos crimes e que existe a possibilidade de outras vítimas, tanto no mesmo hospital quanto em outras instituições onde o suspeito possa ter trabalhado.
Técnicos presos podem responder por homicídio qualificado
Os técnicos de enfermagem foram presos nos dias 12 e 15 de janeiro. Eles podem responder por homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão. As duas técnicas que não denunciaram os fatos também podem ser indiciadas por coautoria, em razão da negligência.
Hospital afirma que instaurou investigação interna
Em nota, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias atípicas nos óbitos, instaurou um comitê interno de análise e realizou investigação própria. Segundo a instituição, as evidências foram encaminhadas às autoridades, o que resultou na abertura de inquérito policial e na prisão dos envolvidos.
O hospital afirmou ainda que entrou em contato com as famílias, prestou esclarecimentos, destacou que o caso corre em segredo de justiça e reforçou que colabora de forma irrestrita com as investigações, solidarizando-se com os familiares das vítimas.
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Com informações do Correio Brasiliense
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