Anvisa aprova primeira vacina 100% nacional contra a dengue

Publicada em • Zeudir Queiroz

Ministério da Saúde fará a inclusão do imunizante no calendário nacional de vacinação e a oferta será exclusiva pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Expectativa é ampliar o acesso à vacina em 2026

Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu parecer favorável à segurança e eficácia da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Este será o primeiro imunizante totalmente produzido no Brasil para combater a doença. O termo de compromisso assinado nesta quarta-feira, 26 de novembro, marca a etapa final de um processo que envolveu anos de pesquisa e investimentos, incluindo apoio significativo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Integração ao SUS e expectativa de oferta

Com a aprovação, o Ministério da Saúde incluirá a vacina no calendário nacional, para uso exclusivo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é que o imunizante esteja disponível à população a partir de 2026, conforme a expansão da capacidade produtiva do Butantan.

Na próxima semana, a pasta levará o tema a um comitê de especialistas e gestores do SUS, que definirá a estratégia de vacinação e os públicos prioritários. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a produção nacional permitirá ampliar o acesso e estruturar uma estratégia duradoura para todo o país.

Investimentos e capacidade produtiva

O Ministério da Saúde investe mais de R$ 10 bilhões por ano no Instituto Butantan. Somente para a ampliação estrutural do instituto, incluindo a produção da nova vacina contra a dengue, foram destinados mais de R$ 1,2 bilhão via Novo PAC Saúde.

Atualmente, o Brasil já distribui vacinas importadas para 2,7 mil municípios, com mais de 7,4 milhões de doses aplicadas no público de 10 a 14 anos. Para 2025, o governo assegurou 9 milhões de doses do imunizante atualmente em uso, com outras 9 milhões previstas para 2027.

Eficácia e segurança da nova vacina

A vacina do Butantan utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado — segura e amplamente utilizada em outras vacinas nacionais e internacionais. Os estudos clínicos demonstraram:

  • 74,7% de eficácia contra dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos;

  • 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.

Neste primeiro momento, a Anvisa aprovou o uso para a faixa etária de 12 a 59 anos, podendo ser ampliado futuramente mediante novos estudos.

Apoio financeiro do BNDES

O desenvolvimento da vacina contou com importantes aportes do BNDES. Em 2017, o banco destinou R$ 97,2 milhões para ensaios clínicos e construção de uma planta de escalonamento, por meio do Fundo Tecnológico (BNDES Funtec). O valor representou 31% de um investimento total de R$ 305,5 milhões.

O Funtec já havia apoiado o Butantan anteriormente, em 2008, com R$ 32 milhões para pesquisas envolvendo vacinas contra rotavírus, dengue e leishmaniose canina.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a aprovação representa um avanço estratégico para o SUS e reforça o compromisso do governo federal com ciência e inovação.

Parceria internacional e transferência de tecnologia

A nova vacina é resultado de uma cooperação estratégica entre Brasil e China. O Instituto Butantan firmou parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, que contribuirá para a produção em larga escala do imunizante.

Essa cooperação fortalece a política brasileira de inovação em imunobiológicos, incluindo transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto. A vacina protege contra os quatro sorotipos da dengue e será aplicada em dose única — um diferencial que pode transformar o enfrentamento da doença no país.

Situação epidemiológica da dengue no Brasil

Apesar da redução de 75% nos casos de dengue em 2025 em comparação a 2024, o Ministério da Saúde reforça a necessidade contínua de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Até outubro deste ano, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos prováveis, com maior concentração em:

  • São Paulo (55%)

  • Minas Gerais (9,8%)

  • Paraná (6,6%)

  • Goiás (5,9%)

  • Rio Grande do Sul (5,2%)

Os óbitos também diminuíram 72% em relação ao ano anterior, somando 1,6 mil registros no período.

Fonte: SECOM

Zeudir Queiroz